Carlos Fontes

 

 

   

Cristovão Colombo, português ?

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As Provas do Colombo Português 

1. Nome de Guerra : Cristobal Colon 

O nome deste navegador é desde o século XV um mistério, desde sempre houve  a percepção que se tratava de um nome falso, uma alcunha ou um "nome de guerra". 

Cristovão Colombo ou  Cristoval Colon ? Em vida nunca assinou como Colombo ("Pombo" em italiano), nem nunca foi tratado como tal. Chamava-se Cristovão Colon ou Colom, foi assim que o tratou, em 1488, D. João II, rei de Portugal. 

Colombo foi o nome lhe deram os italianos, e já depois de ter falecido também os portugueses, numa fase altura que a sua família defendia em tribunal os seus privilégios e título. A corte espanhola acusava-o de ser um traidor e de a ter enganado.

Porquê este secretismo? Para esconder a sua família ? 

A) Nova Identidade

Colombo não foi o único português que foi para Castela e fez-se passar como tendo outra nacionalidade, no século XV e XVI a prática era corrente. Conhecemos, por exemplo, um "António Genovês" que era natural de Chaves (Portugal). Mais

A estratégia da ocultação da sua verdadeira identidade em Castela, assentou numa ideia muito simples: Colombo, assumiu como suas, as raízes italianas da sua esposa - Filipa Moniz Perestrelo. Como é sabido, o seu avô - Filipe Perestrelo -, por volta de 1380 mudou-se de Piacenza para Lisboa.  

Convém recordar que Piacenza, no século XV, pertencia ao Ducado de Milão, que se estendia pela Lombardia e parte da Ligúria

Colombo utilizou uma prática corrente na nobreza na época: os esposos, por exemplo, assumiam como suas as familias e as raízes familiares das suas esposas, quando possuíam uma mais prestigiada linhagem e um maior poder económico e social.  Filipa pertencia à alta nobreza em Portugal, tendo muitos dos seus familiares exilados em Castela, nomeadamente a residirem em Sevilha.  

Nesta ocultação, não foi difícil à Corte Portuguesa, servir-se não apenas dos serviços de Bartolomeu Marchione (4), mas também da excelente rede de feitorias e relações internacionais da nobreza portuguesa, para difundir a ideia que Colombo era Italiano, nomeadamente de Milão, a que Piacenza pertencia no século XV. 

É por esta razão que alguns historiadores do século XV e XVII, como Andrés Bernandez ou Bérnal, Fernández  de Oviedo (10), Pedro María de Campi (11), Francisco Lopez de Gomara (12) afirmam que Colombo era de Piacenzza (Piacenza, Plasência) da familia Perestrelo, ou da região de Milão ou da Lombardia, confundindo as suas origens com as da sua esposa Filipa Moniz Perestrelo.

A prova mais eloquente desta confusão foi dado Hernando Colon. Na biografia do pai afirma andou por Itália a investigar as várias terras e regiões onde se dizia que o mesmo teria nascido. Em Génova, Saona, Cugureo, Bugiasco e Nervi não encontrou rastos da sua suposta familia, nem qualquer testemunho que pudesse provar que algum dos seus membros ali tivesse vivido.

Apenas em Plasencia (Piacenza)  afirma existiriam "personas muy honradas de su familia y sepulturas con armas y epitafios de los Colombos" (8). Não nos esclarece se fez alguma investigação nesta cidade

Para consolidar esta confusão terá sido providencial a Colombo a amizade que, a partir de 1498, estabeleceu com Gaspar Gorricio, frade franciscano, oriundo da cidade de Novara, pertencente ao Ducado de Milão. 

Procurando tirar partido desta confusão, por volta de 1583 apareceu em Espanha, um burlão italiano, senhor de Cúçaro ,Monferrato, nos limites do Ducado de Milão. A sua tese era que os Colombos haviam sido os senhores de Cúçaro, e que depois se haviam mudado para Génova. O seu objectivo era apoderar-se do que restava da herança de Colombo: os ducados de Verágua e da Jamaica. Mais

Com esta confusão, Colombo e os seus irmãos, tentaram afastar qualquer suspeita de ligação a Portugal. Os historiadores, desorientados à mingua de provas, foram imaginando ligações familiares e alargando o raio da sua possível naturalidade a toda a Lombardia e Ligúria italiana.

Os negócios de Marchione, mas também os casamentos da alta nobreza portuguesa na região de Milão ( 3), poderão ter comprado a cumplicidade dos italianos para a ocultação da Identidade de Colombo. 

Não podemos descartar a hipótese de Colombo ter estado envolvido na traição da Casa de Bragança e dos Duques de Viseu-Beja.

Um dos primeiros a cobrar estes favores foi Carlos III, Duque de Saboia, que em 1516 pediu em casamento a infanta Dona Beatriz, filha de D. Manuel I, o qual só lha concedeu em 1521, no ano em que faleceu.

Anos depois, os italianos voltam à carga e conseguem mais um casamento da neta deste rei - a Infanta Dona Maria (1538-1577), filha do Infante D. Duarte, Duque de Guimarães, em 1565, com Alexandre Farnese, 3.º duque de Parma e Plasência (Piacenza) (9). Não podia haver maior cumplicidade.

Os italianos desta confusão, como contrapartida, ganharam prestigio, mas também algum poder oferecido pelos portugueses.

O facto mais surpreendente é que Colombo, nem os seus irmãos, em tudo o que escreveram e que chegou até nós, NUNCA se referiram a Plasencia, Piacenza, Piacenzza, Milão, Milan, Lombardia ou Ligúria.  Eram cidades e regiões italianas que não lhes diziam nada.

B) Leitura do Brasão

Colombo surge em Castela ostentando um brasão de família, a que em 1493, os reis de Espanha acrescentaram outro. A sua explicação à luz do que dissemos é de uma enorme simplicidade, como veremos.

C ) Mudança de Nomes 

Comecemos por recordar que Colombo também não foi o único português que fugiu para Espanha e mudou de nome. Três exemplos dos seus familiares que fizeram o mesmo, um dos quais era também espião:

- Lopo de Albuquerque, Conde de Penamacor, casado com a sobrinha de Colombo,  No estrangeiro usava o nome de "Pedro Nunes". Foi dado como morto em 8 de Maio 1493, incluindo por todos os cronistas portugueses, mas ainda estava vivo em 1495 ! Mais

- Diego Mendez Segura, filho adoptivo de Lopo de Albuquerque. Foi o secretário vitalício de Colombo e do seu filho Diego, usava também em Espanha um nome falso. Mais

- Perestrelo. Parente de Colombo. Foi enviado pelo rei D. João II a Itália para um encontro secreto com vários italianos, incluindo o Duque de Milão. Usou também o nome falso de "Marcial Barroso".

A razão porque o faziam prendia-se obviamente com a necessidade que sentiam de proteger a sua verdadeira identidade.

No caso de se tratar de conspiradores, a mudança de nome dificultava a acção dos seus perseguidores enviados por D. João II; 

No caso de serem espiões ao serviço deste rei, a mudança de nome impunha-se pela própria missão em território inimigo. 

A identidade de Colombo e dos seus irmãos foram sempre protegida em Espanha, de modo a dificultar a sua possível identificação. Este trabalho envolveu directamente a Corte castelhana, mas também muitos nobres portugueses que estavam exilados neste reino.

Porque os reis católicos estavam tão interessados em não divulgar a verdadeira identidade de Colombo e dos seus irmãos? A resposta é simples: para não serem acusados de estarem a dar protecção aos que conspiradores contra D. João II. Um assunto que suscitava no tempo mútuas acusações entre portugueses e castelhanos.  

 

D ) Significado de Cristovão Colon

Se levarmos à letra o que afirma - Hernando Colon -, o seu primeiro nome significa "aquele que leva Cristo", e o segundo que era membro de uma ordem ou irmandade. Estamos perante um nome falso, que esconde um segredo. A sua assinatura cabalística, como veremos, reforça esta convicção. 

1. Cristovão 

A escolha do primeiro nome possui uma mensagem escondida, já que não corresponde ao seu verdadeiro nome. A palavra Cristovão significa literalmente aquele que leva Cristo, o que confere ao nome uma dimensão religiosa num contexto de descobertas marítimas.

No próprio nome "Cristovão"a alcunha que foi atribuído a um santo cristão do século III, cujo verdadeiro é para uns Ofero, mas para outros Réprobo, Relicto ou mesmo Adócimo. Diz-se que era filho do rei de Canaã, mas as versões são contraditórias. Temos aqui um claro paralelismo com o próprio Colombo.

São Cristovão, protector dos viajantes, era dos santos mais populares em Portugal nos séculos XV e XVI, assumindo notáveis particularidade:

1. 1. Santo Militar Português. São Cristovão está ligado a um acontecimento de enorme importância: A batalha de Toro (1476). Nesta batalha em que D. Afonso V e o principe D. João, futuro D. João II, enfrentou Isabel e Fernando de Castela e Aragão pela posse do Reino de Castela. No final portugueses e os espanhóis reclamaram cada um por si a vitória na batalha. 

Acontece que seis anos depois (1482), o Conselho Régio de D. João II, reunido em Viana do Alentejo, para assinalar a vitória, enviou para a todas as terras do reino uma carta, cuja minuta se conserva, ordenando que no dia 2 de Março de cada ano fosse organizada uma procissão solene de agradecimento aos padroeiros do exercito português na batalha: Nosso Senhor, a Virgem Maria, São Jorge e São Cristovão (2).

São Cristovão tinha portanto um profundo significado para os portugueses, no tempo de Colombo, nomeadamente no apoio que lhes prestou na luta contra os espanhóis.

1.2. Santo da Ordem de Cristo. Numa posição central na Charola do Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, os cavaleiros mandaram pintar a figura de São Cristovão. 

O santo segura um menino que na mão leva um globo representando o mundo. A cena incluiu a figura de um eremita, que segundo a lenda, conduziu o próprio São Cristovão a Cristo. O fresco data do último quartel do século XV.

1.3. Igreja e Paço de Lisboa. S. Cristovão era também o nome dado ao paço onde residia o poderoso Alvaro de Bragança, sobrinho de Colombo. O paço fica mesmo ao lado de uma Igreja com o mesmo nome, uma das mais antigas de Lisboa. Eram enormes as cumplicidades entre eles em Espanha. 

1.4. Nome Português. Em 1493, o Papa Alexandre VI (espanhol), publica quatro bulas oficializando as suas descobertas. Apenas em duas referem o seu nome. Numa é tratado por "Crhistophom Colon" (Colon e não Colombo). Na outra o seu nome aparece totalmente em português - Cristofõm Colon ( Cristofõm, uma palavra portuguesa que resulta da junção de "Cristo" e "Fõm", uma forma arcaica de "vão". Hoje seria "cristovão). (5).

Se o papa se lhe referisse em italiano deveria escrever "Cristoforo Colombo", o que nunca o fez.

As assinaturas de Colombo são quase sempre em português. Quando escreve em espanhol, a palavra Cristoval é frequentemente acompanhada de expressões em português. Como sabemos os italianos não tardaram a tornar Colon em Colombo. 

2. Colon

Entre 1469 e 1472, um célebre corsário ao serviço de D. Afonso V, tinha o apelido de "Coulão". D. João II, em 1488, tratou-o por Collon e Colon; Os reis Castela e Aragão por "Colomo" (1487-1489) e depois por "Colon" (1492). O papa, em 1493, por "Colon". É só a partir da carta que escreve em Lisboa (Março de 1493), que começa a confusão de nomes, terminando na fraude do Colombo italiano. Mais

O apelido "Colon" ou " Colom" tem três significados precisos:

a ) Colon membro de uma Ordem ou Irmandade. Hernando Colon, sustentou que o apelido "Colon", derivava de uma palavra grega que significava membro de uma Ordem ou Irmandade, mas não disse qual era, porque se o sabia, não o podia dizer.

b ) Colon evoca corsários. Lembra o nome de corsários que entre 1469 e 1483, com apelidos idênticos, ao serviço o rei de Portugal, muitas vezes combateram contra castelhanos, aragoneses, genoveses, venezianos e bretões. 

Colombo, o navegador que se dava a profecias, quis mostrar a dimensão cruel da sua personalidade, evocando uma experiências guerreiras próprias e alheias. Porquê esta preocupação procurar nomes que inspirassem força ou terror ? 

A explicação é simples: Colombo sabia por experiência própria que os comandantes dos navios expedicionários, tinham que se afirmar antes demais pela sua autoridade sobre a tripulação.

A maioria dos marinheiros das expedições marítimas eram recrutadas entre gente pouco recomendável. Recorde-se que a tripulação dos 3 navios da 1ª. viagem era constituída na sua maior parte por criminosos e corsários.  O porto de Palos, donde partiu, em 1492, era o principal centro da pirataria e dos corsários castelhanos e portugueses. Colombo sabia exactamente o nome e a linguagem que devia de usar para conduzir a tripulação deste navios. 

A única forma de se impor como Almirante, não era apenas através dos seus conhecimentos, mas também mostrando a corsários como Pinzón que quem mandavam  era ele e não recuava nas suas decisões. Colombo revelou-se de uma crueldade sem limites em relação aos espanhóis. Na 1ª. Viagem 39 foram abandonados e desta forma condenados à morte. Martin Alonso, outro corsário, apareceu morto pouco depois do seu regresso a Espanha. Durante a 2ª. e 3ª. Viagem muitas dezenas deles foram mortos nas Indias, após julgamentos sumários de Colombo e dos seus irmãos.   

Por último, o apelido "Colom ou Colon", não levantaria também grandes suspeitas, pois era facilmente pronunciável por um espanhol e era corrente em algumas regiões de Espanha, entre os cristãos-novos ou conversos (judeus). O que num clima de conflito poderia gerar apoios entre as comunidades cripto-judaicas, mas também eventuais suspeitas entre os católicos, mas como se veio a verificar, o apoio dos judeus foi fundamental para as expedições de Colombo.

c ) Colombo (pombo) evoca aves. O que pode significar a sua ligação à Dinastia de Aviz, como à Ordem Militar de Aviz. Uma hipótese que ganha cada vez mais força ( consultar ) . Pode também evocar o Espírito Santo, simbolizado por uma pomba.

E ) Variações do nome Cólon

A palavra grega Colón, sofreu pontualmente algumas variações: 

Em Espanha  foi também escrita como Colomo e Colón. 

Em Portugal, devido ao facto de não haver palavras terminadas com a letra "n", rapidamente deu origem a Colom. Existiu também a forma Coulão.

No entanto, em 1488, D. João II, claramente escreve - Cristobal Collon ou Colón. Outros, como Rui de Pina, depois de 1500 escrevem "Colo nbo", "Colonbo", "Colombo". Alguns mais atentos, mantém a forma "Colon".

Em Itália foi onde ocorreu maior variação do apelido: "Colon", Colonus", "Columbus", "Colobo", "Colonus", "Columbi", "Colona", "Colombo", etc. 

Colon -membro de uma ordem-, transforma-se em Colombo - pombo.

 

F) Supressão do Apelido Cólon

Colombo, como já dissemos, nunca assinou nenhum documento com o nome Cristobal Colón ou Colombo. Desde 1492 assina "Xpo Ferens", "El Amirante", "Virrey", e a partir de 1498 passa a usar quase exclusivamente um anagra em forma  piramidal. O corte é radical com o apelido.

Na correspondência que entre 1502 e 1504 mantém com o Banco S. Jorge de Génova, usa apenas o primeiro nome "Christoforo" e o seu filho "Dom Diego", anulando o sobrenome de "..

Na vasta documentação que nos chegou, constata-se que só muito raramente escreve "Cristobal Colón", e mesmo nestes casos foi por exigência de contratos firmados com terceiros. Os notários exigiam um nome, não se contentavam com uma assinatura ! 

Quase nunca emprega o apelido "Colón", para se referir aos seus filhos, nem mesmo ao seu irmão Bartolomeu..  

Dir-se-ía que tentou anular o sobrenome "Colón/Colom/Colombo". A verdade é que foi com este "apelido" que D. João II o tratou, foi conhecido em Castela e apelidou os seus dois filhos. 

A sua mensagem é clara, tratava-se de um pseudónimo, um nome de guerra, com o qual depois de 1492 passou a não quer ser confundido, embora sem grande sucesso. Mais 

É por esta razão que Fernando Colon, afirma que muitos tinham sido as identidades (nomes)  que lhe eram atribuídas, mas nenhuma estava certa.

Nas Indias (América) foi de uma violência sem limites para quem o associasse a Itália, e em particular a Génova.

O seu filho Fernando Colón, na biografia que fez dele, nunca se lhe refere como Cristobal Cólon, mas como o Almirante. 

 

Las Casas, que teve acesso aos seus arquivos pessoais, trata-o raramente como "Cristobal Cólon, e quase sempre por Almirante, mas nunca por Colombo.

 

O próprio Banco de S. Jorge de Génova, trata-o por "Christoforo" (Cristovão), omitindo o sobrenome "Colon". 

G ) Enigmática Assinatura

Cristoval Colon é um nome de guerra, um pseudónimo, não o seu verdadeiro nome. Não se tratava todavia de um nome qualquer, mas um que tinha um significado oculto.

A assinatura de Colombo está escrita de forma cabalística, cuja decifração tem constituído um verdadeiro quebra cabeças.

A sua primeira assinatura de era constituída por o conhecido anagrama, seguido das palavras "Xpo Ferens" (4/1/1493, 20/2/1493),"El Almirante" (20/1/1494, 26/4/1498, 29/4/1498, 12/5/1498, 28/5/1498, 21/5/1499, 26/2/1501, 24/5/1501, 9/6/1501, 22/10/1501) e Virrey(3/8/1499).     

Por motivos que desconhecemos, em 1498, passa também a colocar sob o anagra ":Xpo Ferens./" Esta assinatura reaparece em 1502 (memorial a los reyes...), tornando-se a partir daqui a sua única assinatura. 

Recordemos que, em 1498, D. Manuel I foi jurado em Toledo herdeiro do trono de Castela, e Colombo com a sua autorização dirigiu-se para sul entrando nos domínios de Portugal. Em 1502, Colombo apela ao papa para assumir o governo das Indias, expulsando os espanhóis.

Colombo deu informações muito precisas ao seu filho Diego Colon como podiam fazer e reconhecer a sua assinatura.

A assinatura está escrita de forma cabalística, para saberemos o seu verdadeiro nome de Cristoval Colon temos que a decifrar.  

Em Itália ninguém prestou qualquer valor à mesma, pois não se encaixava no perfil de um humilde plebeu.  Este foi o ponto de partida para a "tese" que o verdadeiro nome de Colombo seria Salvador Fernandes Zarco.  

 

H ) Qual o verdadeiro nome ?

Algumas das  pessoas que conheceram mais intimamente Colombo, afirmam que o seu verdadeiro nome era outro. O que mostra claramente que Cristovão Colon era um pseudónimo.

1. Pedro

Vários historiadores, como Alicia B.Gould, chamaram à atenção que vários contemporâneos, muito bem informados, deram-lhe também outro nome. O seu primeiro nome seria Pedro Colón e não Cristovão  Colón.

O cronista dos reis católicos - Lucio Marineo Siculo (1444? -1536)- trata-o desta forma (1 ). Trata-se de alguém muito bem informado sobre dos segredos da corte espanhola.

Esta afirmação foi depois corroborada pelo padre português Gaspar Frutuoso, natural da Ilha de São Miguel (Açores), que em 1589 afirma ter encontrado documentos nos arquivos da Ilha de Graciosa (Açores), segundo os quais o capitão donatário Pedro Correia fora casado com Eseu, Hiscoa ou Hizeu Perestrello, cunhada de "Pedro Colombo que descobriu o Novo Mundo".

Este nome abre importantes pistas para identificarmos a identidade de um enigmático "almirante português" que, em  1492, recebeu dos reis espanhóis uma importante tença. Os dois possíveis almirantes portugueses eram Pedro de Albuquerque e Pedro Castelo Branco, cujas biografias estão envoltas num enorme mistério.  

2. Guiarra ou Guerra 

Mascarenhas Barreto, em "Colombo" Português -Provas Documentais", sustentou que Colombo depois de sair de Portugal foi conhecido em Castela pelo apelido de Guerra. As provas que neste domínio apresentou carecem todavia de sustentação, pois resultam de enormes confusões e erros grosseiros.

Barreto no primeiro volume começa na página 13 por fazer uma clara confusão entre Cristovão Colombo (Cristobal Colon) e Cristovão Guerra (Cristobal Guerra) (13), repetindo-a na página seguinte quando refere a instrução que Alfonso Alvarez, em Sevilha, a 28 de Junho de 1500, para a expedição de Cristobal Guerra (16). Refere também um testemunho retirado dos controversos "Pleyto de la Prioridad" (1513), em que Colombo teria supostamente o apelido Guerra (15), na realidade trata-se mais uma vez de Cristobal Guerra.

Depois cita uma afirmação de Pedro Martir de Anglería, onde este teria  dito que Colombo era Guerra (14), as fontes indicadas estão erradas. Consultando as obras de Anglería editadas entre 1511 e 1533 em nenhuma delas encontramos a afirmação - "Colonus vero Guiarra" ou "Colunus vero Guerra".

Carlos Fontes

 

 

São Cristovão

 

Colombo se cultivou o segredo deixou também abundantes pistas para o decifrarmos, a começar pela escolha do nome. 

 

A sua missão foi desde 1485 a de levar os castelhanos/espanhóis às Indias de modo a afastá-los da verdadeira India. O primeiro nome que adoptou revela precisamente ser essa a sua intenção: Cristovão (Cristobal, Cristoforo, Christopher, Christoferens, etc ) significa literalmente "aquele que transporta ou leva Cristo". Uma missão que o obrigou a sete  longos anos de contactos, negociações e insistências para ser levada a cabo.  

Carlos Fontes

 

  Notas:

(1 ) "Es raro que sean posibles equivocaciones como las suyas en un catedrático que moraba en la corte", escreve Alicia B.Gould (pág.162)

A obra citada existe na Torre do Tombo, em Lisboa: Sumario de la Serenissima vida, y Heroycos hechos de los catholicos reyes Do[n] Fernando y doña Ysabel de immortal memoria : Sacados de la obra grande de las cosas memorables de España / Compuesta por el muy docto varo Lucio marineo siculo. A edição é de 1553.

(2 ) Chaves, Alvaro Lopes - Livro de Apontamentos (1438-1489), Códice 443 da Colecção Pombalina da BNL, introdução e transcrição de Anastácia Mestrinho Salgado e Abílio José Salgado, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1983. 

3 ) Filipe III, no século XVII, conhecendo estas cumplicidades e ligações entre os nobres portugueses e italianos, nomeou para vice-rainha de Portugal Margarida de Sabóia (1589-1656), Duquesa de Mantua, que acabou por ser presa e expulsa de Portugal, em 1640, quando os portugueses restauração a Independência do país.

Na crise de sucessão de 1578/1580, um dos pretendentes ao trono de Portugal foi Emanuel Filiberto, Duque de Saboia, filho da infanta Dona Beatriz, neto de D. Manuel I.

Para que não restasse dúvidas destas cumplicidades, apesar do caso da Duquesa de Mantua, a seguir à restauração de Independência, dois reis da Dinastia de Bragança - D. Afonso VI e D. Pedro II - casaram-se com Maria Francisca de Sabóia (1646-1683), filha do Duque de Sabóia - Carlos Amadeu de Sabóia.

(4) O objectivo da sua missão, como vimos, era afastar os espanhóis das costas africanas, o que interessava também a  Marchione, que entre 1486 e 1495 possuiu o monopólio do tráfico de escravos para Espanha e Itália. Marchione foi protegido por D. João II e por D.Manuel I. 

(5) A descoberta deste facto deve-se a Manuel Luciano da Silva, quando em Maio de 1992, consultou no vaticano as duas bulas de Alexandre VI, datadas de 1493 (cfr. Publico,7/9/2011)

(7)

(8)

(9) O casamento de Dona Maria de Portugal, em 1564 e 1565 envolveu D. João III e Filipe II de Espanha, tendo como intermediários André de Insua  e D. Teotónio de Bragança. Esta infanta foi a grande promotora em Itália do culto de D.Nuno Alvares Pereira. O seu filho encomendou a Domenico Cresti (Passignano), uma pintura sobre o santo condestável, que se encontra na Igreja de Santa Inês e de Nª. Srª. do Carmo, em Génova.

(10) Fernández de Oviedo, afirma explicitamente: "El origem de sus predecesores es de la ciudad de Placencia, en la Lombardia, la cual está en la ribera del Rio Po, del antiguo y noble linaje de Palestrel ..."

(11) Pedro María Campi, na sua História Eclesiástica de Piacenza, afirma que nasceu em Piacenza, mas que em 1471 se mudou com a família para Genova.

(12 ) Francisco Lopez de Gomara, na História de las Indias, afirma que era oriundo da cidade de Piacenza, na região da Lombardia. "Descendía, a lo que algunos dian, de los palestreles de Plasencia de Lombardia". 

(13) Refere erradamente que na carta que o Duque de Medinaceli escreveu ao cardeal Pedro Gaonzález de Mendoza (19/3/1493) se refira Cristobal Guerra. O texto que é publicado nada têm a ver com o Duque, confunde Cristóbal Guerra com o próprio Cristobal Colombo (1º. volume, página 13). .

(14) Mascarenhas Barreto afirma em "Colombo" Português -Provas Documentais", 1º. Volume, páginas 13 que Pietro Martire d`Anghierra escreveu na 1ª. edição de 1515 ( ???) da colectâneana das suas cartas, intitulada "Legatio Babylonica" que "Colonus vero Guiarra" ( o verdadeiro nome de Colon é Guiarra).  Na página 21 corrige a data da edição para 1511, o que corresponde de facto à 1ª. edição que foi feita em Sevilha neste ano.

A primeira edição de Legatio Babylonica foi publicada juntamente com as Décadas do Novo Mundo e alguns poemas de Anglería, em Sevilla, no ano de 1511, sob o seguinte título: "Legatio babylonica; Occeani decas; Poemata; Epigrammata. (Legatio babylonica ; Occeani decas ; Poemata ; Epigrammata. Ed. Antonio de Nebrija. Sevilla. Jacobo Cromberger. 1511). A edição está escrita em latim e inclui um prefácio de Antonio de Nebrija, o qual em 1516 editará outra versão junto com as mesmas Décadas (De orbe nouo decades. Ed. Antonio de Nebrija. Alcalá: Arnau Guillen de Brocar, 1516). Na Biblioteca da Universidade de Coimbra existe um exemplar da edição de 1511.

Esta obra alcançou grande fama tendo sido uma edição em Basileia, em 1533, juntamente com as quatro primeiras Décadas (De rebus Oceanis & Orbe nouo decades tres. Ed. Johann Bebel. Basilea. 1533). Foi publicada uma tradução em alemão (Grynaens Novus Orbis, Ed. Simon Grynaeus. Michael Herr. Strassburg: 1534), holandês ( editada por Agustín de Zárate, Antuérpia, 1563), italiano ( Relationi del S. Pietro Martire Milanese delle cose notabili della prouincia dell' Egitto. Ed. Carlo Passi. Venecia: Giorgio Cavalli y Nicoló Bevilacqua. 1564.), etc.

O exemplar que Mascarenhas Barreto alegadamente consultou era proveniente do Museu-Biblioteca de Ultramar de Madrid -, e encontra-se desde o inicio do século XX na Biblioteca Nacional de Espanha, mas a verdade é que no mesmo não se encontra a afirmação "Colonus vero Guiarra".

Sobre "Legatio Babylonica", consultar: "A Para uma tradução Una embajada de los reyes católicos a Egipto : según la "Legatio Babylonica" y el "Opus Epistolarum" / de Pedro Mártir de Anglería ; trad., prólogo e notas de Luis Garcia y Garcia, Valladolid : Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 1947. "; Ebtisam Shaban Mursi - Egipto desde la óptica orientalista de un humanista sel siglo XVI: el caso de Legatio Babylonico de Pedro Mártir de Angleria. B.A, Cairo University, 2007;

Barreto afirma que na "reedição" feita em 1530, sob o título de "Psalterium" (???) estaria escrito já o seguinte: "Colunus vero Guerra" ( o verdadeiro nome de Colombo é Guerra). Acontece que Angheria não publicou nenhuma obra com este título. A obra que editou em 1530 foram as Oito Décadas onde não consta igualmente semelhante afirmação.

Na Biblioteca Nacional de Portugal existe um exemplar de "De Orbe Nouo Petri Martyris ab Angleria Mediolanensis protonotarij caesaris senatoris decades / [ed. lit. Antonio de Nebrija], Compluti : apud Michaele[m] de Eguia, 1530."

(15) Mascarenhas Barreto afirma que durante o "Pleyto de la Prioridad" (1513),  o mestre-piloto Nicolás Perez jura perante o Tribunal que o "verdadeiro apelido de Colón era Guerra". Testemunho que terá sido publicado  na revista "Lieya", pag. 20, Madrid. 15/8/1892. Não encontramos esta revista.

 

A afirmação Nicolás Perez está publicada na pág. 541, do Vol.III, da Colección de los Viajes y Descubrimientos ..., edição de 1829, de Navarrete, onde afirma que Cristobal Guerra e Pero Alonso Niño foram a descobrir terra firme desde a Boca de Drago em Pária.

 

(16) A instrução foi publicada, por exemplo, por, Juan Pérez de  Tudela y Bueso - Colección documental del descubrimiento: (1470-1506), Real Academia de la Historia, 1994, pag.1208.

 

 

Continuação:

 

2. Origens 3. Língua Materna 4. Colombo em Lisboa

5. Corsário Português  6. Corsário especializado em navios italianos

7. Colombo no Mediterrâneo

8. Português do Seu Tempo 9.  Cavaleiro de Santiago? 

10. Segredos de Estado 11. Navegador Experiente

12. As Indias de Colombo

13. Ameaça Permanente  14. Espionagem 15. Missão Espanhola 

16. Nobre em Fuga  17. Lugares em Espanha 18. Descobridores e Conquistadores 

19. Castelhanos 

20. Portugueses em Espanha.  21. Apoio de Judeus

22. Negociante Oportuno de Miragens

23. A Bandeira de Colombo  24.  Nomes de Terras

25. Regresso da primeira viagem 26. Significado de um reencontro

27. Partilha do Mundo

28.Defensor de Portugueses  29. Patriotismo

30. Mentiroso e Desleal  31. Regresso da segunda viagem 32. Manobrador 

33. Assassino de Espanhóis

34. Impacto da Viagem de Vasco da Gama 35. Perseguido 36. Ocultação

37.  Armadilha Genovesa  38 Mercadores-Negreiros Italianos  39.  Genoveses a Bordo 

40. Descendentes de Colombo 41. Descendentes (cont. ) 42. Descendentes (concl.)

43. Historiadores Portugueses. 44. Lugares do Navegador em Portugal

45. Cronologia da Vida de Colombo

 

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As Provas de Colombo Italiano

As Provas de Colombo Espanhol

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