Carlos Fontes

 

 

     

Cristovão Colombo, Português ?

 

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Marqueses de Montemor-o-Novo

(Conspiração contra D. João II - 1483 )

 

 

Historiadores espanhóis e italianos, e alguns portugueses têm destacado a importância destes  marqueses no circulo de apoios familiares de Colombo. O seu poder em Sevilha era enorme. 

 

1. João de Bragança (Marquês de Montemor-o-Novo)

 

João de Bragança (c.1430-30/4/1484), segundo filho varão de Fernando I, 2º duque de Bragança e de Joana de Castro.

Participou na conquista conquista de Alcácer-Ceguer (1452) e de Arzila (1471). Pouco antes desta conquista, foi incumbido pelo rei de perseguir o corsário inglês Phoccumbrix que assaltar 12 navios portugueses que vinham da Flandres(29). D. Afonso V nomeou-o temporariamente governador da cidade de Tanger (28/8/1471), concedeu-lhe o título de Marquês de Montemor-o-Novo (1472),  fronteiro entre o Tejo e o Guadiana (1473), 6.º condestável de Portugal (25/4/1473),  Participou na batalha de Toro e acompanhou D. Afonso V na sua viagem a França.

 

Foi um dos 27 escolhidos para fazer parte da Ordem da Espada, criada em 1459 por D. Afonso V, cujo objectivo era conquistar o reino de Fez e libertar África dos muçulmanos.

 

Possuía um vasto património que recebeu do seu pai e do rei D. Afonso V. Foi senhor das vilas de Alcáçovas (1459), Viana do Alentejo (1460), Cadaval (1465), Redondo (1465),  Vila do Peral. O seu pai doou-lhe a vila de Montemor-o-Novo (14/1/1465, que havia pertencido a Nuno Alvares Pereira (1384) e que depois fora incorporada na Casa de Bragança (1422). D. Afonso V, em 1465, não apenas confirmou estas doações como lhes acrescentou a a vila do Redondo, de cuja jurisdição e senhorio lhe fez igualmente mercê. Recebia as rendas reais de Elvas (1462). Rendas de Rio Maior, da Mouraria e dos tabeliões de Lisboa, etc.

 

Alberto Gonçalves, em Portugal e a sua História (Porto, 1939), escreve que o marques de Montemor, era donatário da Vila de Alcáçovas, onde teria um palácio. Era senhor de Aldeia Galega, onde possuía o solar da "Barrosa". Tinha igualmente as portagens de Elvas. informações que não conseguimos confirmar.

 

Casou-se em 1461 com Isabel Henriques de Noronha da qual não teve filhos. O casamento foi apadrinhado pelo rei D. Afonso V e por - Constança de Noronha, duquesa de Bragança, tia de Isabel. A Duquesa, a 9/8/1461, mandou entregar a João de Bragança, a título de dote da sua sobrinha, a quanto de 12.000 dobras de rendas que auferia em Guimarães, onde residia.

 

1.1.Traição e fuga para Castela

 

Pouco depois de D. João II ter ascendido ao trono (1/9/1481), começou a revelar-se pouco fiel ao novo rei, assumindo atitudes de crescentes hostilidade (27), acabando por ser desterrado para Castelo Branco. Manteve uma correspondência clandestina com os reis de Espanha (fins de 1482), incentivando-os a invadirem Portugal e prometendo-lhes o acesso à Guiné(28). Envolveu nesta conspiração os seus irmãos, o Duque de Bragança, o Conde Faro e o chanceler-mor do reino (Alvaro de Bragança).

 

D. João II, como é sabido, depois de desfazer as terçarias e recuperar o principe D. Afonso a 24/5/1483 (26), mandou prender em Évora  o Duque de Bragança (29/5/1483), que acabou julgado e condenado á morte (degolado a 20/6/1483). João de Bragança foi dos primeiros a fugir para Castela, tendo-se fixado em Sevilha. Foi degolado em efígie, em Abrantes, a 12/9/1483 (2 ). 

 

A vila de Montemor-o-Novo foi, em 1483, incorporada de novo nos bens da Corte (3 ). Fernão Martins Mascarenhas, chefe da Guarda Real, foi pouco depois nomeado alcaide-mor de Montemor-o-Novo (25).

 

Quando se dirigia com o seu irmão, o Conde de Faro, para junto dos reis católicos, para lhes agradecer a forma como foram acolhidos, morreu subitamente a 30/4/1484. É provável que estejamos perante outra falsa morte, para o afastar das perseguições de D. João II (30).

 

1.2. Mercês dos Reis de Espanha

 

Os Marqueses de Montemor-o-Novo, em particular a marquesa, graças aos rendimentos que recebia de Portugal e aos que obtinha dos reis espanhóis, pode manter em Sevilha uma corte de serviçais e envolver-se nos negócios das Indias.

Em 1490, por exemplo, recebeu 100.000 maravedis (cfr. Quesada,1973). 

 

No principio do século XVI, à semelhança de Alvaro de Bragança, recebia rendas da Inquisição de Sevilha. Fernando, o católico, mandou que a mesma lhe pagasse, por exemplo, em 1508, 1509 e 1510, a quantia de 100.000 maravidies em cada ano (9). 

 

 

2. Isabel Perestrelo Enriquez de Noronha ( Marquesa de Montemayor de Portugal ) 

A Marquesa de Montemayor ou Dona Isabel Perestrelo de Noronha, conhecida em Espanha por Isabel Enríquez era filha de Pedro de Noronha, arcebispo de Lisboa (1379-1452) e Branca Dias Perestrelo, tendo sido legitimada por carta régia de 13 de Agosto de 1444

Era sobrinha de Constança de Noronha, duquesa de Bragança.  Era, portanto, prima da rainha de Castela, sobrinha da cunhada de Colombo e parente deste último.

Após a conspiração de 1483, a marquesa ficou em Portugal. Assistiu em Abrantes, a 12/9/1483 à execução em estatua do marido, que havia fugido para Castela (Sevilha).

Ao contrário do que seria de supor, D. João II, protegeu-a, e na mesma vila onze dias depois, deu-lhe em carta em carta de privilégio a renda das pensões dos tabeliões de Lisboa, que tinha pertencido ao seu marido (18).

Acabou por fugir para Sevilha, em 1484, com Catarina da Costa, irmã do célebre cardeal de Alpedrinha, e esposa de Pedro de Albuquerque. Mais

2.1. A Marquesa e o Isabel, a Católica

Os braganças, enquanto familiares da rainha de Castela  tinham com a mesma uma relação especial. A marquesa não foi neste aspecto, nenhuma excepção. Esta rainha confiava no seu gosto. Encarregou-a, por exemplo, de mandar fazer as jóias que a princesa Catarina, prometida de Henrique VII, levou para Inglaterra.

2.3. Panteão familiar: Convento de Santa Paula

Depois da morte do marido, em 1484, continuou a viver em Sevilha, tornando-se a patrona do Convento de Santa Paula, que transformou num panteão familiar (15), onde se encontra sepultada, com João de Bragança. Até 1592 havia apenas um único túmulo para os dois esposos na capela mor,  quando o mesmo divido, ficando cada um deles sob dois arcosólios nas paredes laterais da Igreja, revestidos de Azulejos sobre os quais repousam estátuas tumulares: o marquês no lado do Evangelho e Isabel no lado da Epistola.

As inscrições que agora encontramos nos respectivos túmulos foram mandadas fazer pelo arqueólogo José Gestoso y Peres (1852-1917) (2). A marquesa mandou igualmente sepultar neste panteão o seu irmão - Leão Henriques de Noronha (Leon Enriques de Noronha). Mais 

A grande ausente deste panteão é a sua irmã Leonor de Noronha, esposa do Conde de Penamacor, envolvido na conspiração de 1484. Leonor faleceu em Sevilha em 1519/20. Mais

Fachada do Convento de Santa Paula, em Sevilha

Os seus vastos terrenos e as obras da Igreja foram custeados pela marquesa, tendo a obra durado cerca de 6 anos, só ficou concluida em 1489.

 

Para a realização do portal do convento contratou, em 1504,  o célebre ceramista italiano Francisco Niculoso Pisano, que provavelmente veio para Portugal, com Andrea da Sansovino, discípulo de Andrea e Girolamo della Robbia.

 

Niculoso na mesma altura executou um retábulo de azulejos no Alcázar de Sevilha, ao que julgamos por indicação de Alvaro de Bragança, familiar da marquesa e responsável desta instituição sevilhana.

 

Não deixa de ser curioso registar que a madrinha de baptismo de Juan Batista, filho de Francisco Niculoso Pisano, em 1508, tenha sido Violante Moniz Perestrelo, prima da marquesa e cunhada de Cristovão Colombo (19).

Isabel de Noronha não deixou descendência, morreu a 29 de Maio de 1529, tendo entregue parte da sua fortuna às freiras de S. Jerónimo do convento de Santa Paula. 

2.3. Palácio em Sevilha

A marquesa instalou-se em Sevilha, na Rua Francos (calle Francos), vivendo num palácio rodeada de uma verdadeira corte de serviçais. O bairro era o mais nobre da cidade, onde se localizava o Alcázar, os Cabidos e o Palácio Arquiepiscopal.  O palácio foi vendido pelos seus herdeiros, em 1552, a Diego Caballero e sua cunhada (10). Mais

Com as rendas que recebia, adquiriu casas em Los Palacios, Vila Franca de la Marisma, Casas em Sevilha, etc. (31)

Em 1498, Cristovão Colombo e a sua cunhada Violante, que viviam desde 1493 na Collación (freguesia) de Santa María la Blanca, mudaram-se para uma casa junto ao palácio da marquesa. Quando a rainha Isabel de Espanha faleceu, fixaram também aqui residência Diego e Hernando Colón.

Não muito longe desta rua ficava o palácio de Alvaro de Bragança.

O palácio da Marquesa de Montemor-o-Novo era um verdadeiro centro da comunidade portuguesa de Sevilha, alguns exemplos:

- A família de Colombo, em especial a sua cunhada Violante, mas também os seus filhos Diego e Hernando Colón, efectuam nele negócios (11).

Ocorreram neste palácio cerimónias de iniciação a ordens militares portuguesas. Mais

2.3.1. Mordomos, Capelão e Criados

 

O marquês de montemor-o-novo, como o principal instigador da conspiração de 1483, tinha uma vasta rede de criados envolvidos nas ligações com Castela. D. João II, no dia 22 de Setembro de 1483, ordena que nenhum deles abandone Portugal, uma ordem que não foi cumprida.

 

Afonso Vaz, secretário particular do marquês, e Diogo Lourenço (criado), foram condenados à morte, mas a pena foi substituída por prisão perpétua. Qual a razão desta comutação da Pena ? Uma carta de Alvaro de Bragança que Colombo guardou no seu arquivo pessoal parece ser a chave para o desvendar.  Mais

 

- Gonçalo de Mourão, escudeiro do marquês, conseguiu fugir para Castela (1483). Em 1501 ainda estava ao serviço da marquesa, tendo ido cobrar rendas a Jerez de la Frontera. Quatro criados residentes em Montemor-o-novo, todos ao que parece da mesma familia, terão igualmente conseguido fugir para Castela, sendo os seus bens dados ao capitão da guarda real - Fernão Martins Mascarenhas (21) .

 

- João de Mourão, parente de Gonçalo de Mourão. Mordomo, membro da Ordem de Santiago, estabelecia igualmente uma ligação permanente com Portugal.

 

- Frei Gregório, capelão (1495-1516), também português, pertencia à Ordem dos Agostinhos, foi morto em 1516 quando se dirigia a Portugal (20).

 

A marquesa de Montemor, tinha em Sevilha, uma verdadeira corte. Foram já identificados mais de 20 criados, o que diz bem do poder que possuía na cidade ( 1). 

 

2.4. Negócios da Marquesa em Espanha

A marquesa possuía múltiplos negócios, tais como:

- Escravos. O negócio estava a cargo de alguns do seus criados: Pablo Lande, Sebastião de Matos, António Nunes entre outros.

- Financiamento de expedições às Indias espanholas.

2.5. Familiares Exilados em Sevilha

A marquesa assumiu o papel de matriarca da nobreza portuguesa exilada em Sevilha, à qual deixou a maior parte da sua fortuna.

Vivia rodeada de familiares, entre os quais se destacam os seguintes: 

- Alvaro de Bragança, conselheiro de Isabel, a católica, Presidente do Conselho Real de Castela, alcaide de Sevilha, fundador da Casa da Contratación (1503). Era irmão do seu marido e portanto seu cunhado. Mais

Não é de estranhar que a marquesa tenha protegido o seu sobrinho - Jorge de Lencastre e Melo, casado com Isabel Colón y Toledo - neta de Colombo. Mandou entregar-lhe a quase totalidade da sua tença de 540.000 maravedis (1523), assim como as indemnizações que tinha a receber do seu outro sobrinho Jaime, Duque de Bragança em Portugal (1514) (16). Tratava-se de uma verdadeira fortuna para a época  ( 1 ).

- Colombo, Violante Perestrelo e outros membros deste clã familiar eram todos seus parentes e viviam na mesma calle Francos. A marquesa aparece a assinar vários negócios de cunhada de Colombo, como sua representante legal. Mais

- Leonor Enriques de Noronha, prima irmã da marquesa. Era casada com Lopo de Albuquerque, 1º. Conde de Penamacor, uma das figuras principais da conspiração de 1483 contra D. João II.

O seu filho adoptivo -  Diego Méndez de Segura -, secretário particular de Colombo, tinha negócios com a marquesa, envolvendo o seu capelão (Frei Gregório). Mais

As relações entre as duas irmãs em Sevilha não se revelaram fáceis, talvez porque Leonor Enriques de Noronha acusa-se o marquês de Montemor, como o principal causador do seu exilio em Sevilha.

- Afonso de Bragança, 2º. Conde de Odemira e 1º.Conde Faro, que morreu em Sevilha, em 1484, tendo sido sepultado no Convento Nossa Senhora do Carmo (ou Convento de Santa Paula ?). Mais

- Maria Enriques de Noronha, 2ª. condessa de Odemira e 1ª. condessa de Faro, prima irmã da marquesa, também ela ligada à família de Colombo.

A rede dos parentes Dona Isabel estabelecidos em Sevilha, é muito extensa e envolve frequentemente familiares ligados aos próprios Duques de Medina Sidónia. As suas actividades estão quase sempre relacionadas com o mar e o comércio marítimo.

3. Relações com a Ordem de Santiago de Portugal

A marquesa estava familiarmente ligada à Ordem Militar de Santiago, desconhecendo-se o seu envolvimento com a mesma:

O seu irmão - Pedro de Noronha - era comendador de Santiago. 

O seu mordomo, em 1515, efectua com a esposa uma cerimónia no palácio de adesão a esta ordem militar portuguesa. Mais

4. Relações com D. Manuel I

Após a morte de D. João II, os braganças foram perdoados. É neste contexto que D. Manuel I, a 11/1/1500 concede à marquesa a tença do seu casamento de 45.000 reais. Em 1514 recebia também uma tensa abonada com as rendas da sisa do pescado e madeira de Lisboa.

Mais tarde, depois da tempestade politica e já nos tempos de reconciliação do reinado de D. Manuel, a tença do seu casamento com o valor de quarenta e cinco mil reais foi-lhe confirmada pelo Venturoso em carta datada de 11 de Janeiro de 1500, a que se acrescenta outra tença de cem mil reais para ser pago à marquesa de Montemor-o-Novo (17).

5. Herdeiras

A Marquesa vivia rodeada de mulheres que eram suas fiéis servidoras, como Catarina Alvares Godinho, fiha de Alvaro Gonçalves de Lisboa; Violante Godinho, que casou com o alcaide de Sevilha; Isabel Botelho, mulher do mordomo do marques e comendador de Santiago e Aviz- João Mourão; Briolanja Rodrigues, entre outras.

Nomeou três delas suas herdeiras universais: Beatriz de Matos, Catalina Madureira (24) e Guiomar da Silveira, filha de Inês da Silveira, viúva de Tomé da Costa.

Em Espanha, o título de Marqueses de Montemayor, no inicío do século XVI, passa para outras famílias mas sempre de origem portuguesa

 

Os Marqueses de Montemor e Cristovão Colombo

 

 

6. Família Noronha em Portugal - Ligações a Colombo

Família que provém de Henrique II, de Castela, filho bastardo de Afonso XI de Castela que houve de de Leonor Nunes de Gusmão (filha dos Duques de Medina Sidónia). 

O ramo português surgiu em 1378, quando em Burgos - Afonso Henriques (Conde de Gijón e Noreña) , que exercia um amplo domínio nas Astúrias, se casou com Dona Isabel, filha de D. Fernando I, rei de Portugal. Alfonso Enríquez lutou contra Enrique III e acabou por se exilar em Portugal em 1385 (7).

Tiveram seis filhos, dos quais destacamos: 

6.1. Fernando de Noronha, 2º. Conde Vila Real.

Casou-se com Brites de Meneses, filha herdeira de D. Pedro de Meneses, 1º. Conde Vila Real, e passou a usar o nome de Meneses.

Geraram Pedro de Noronha e Meneses (1425-1499),  Uma das mais importantes figuras do seu tempo. Era o 7º. Conde de Ourém, 3º. Conde de Vila Real (3/6/1445), e depois 1º. Marques de Vila Real (1/3/1489), Senhor de Aveiras, Almeida, campo de Ulmar (Monte Real), S. Pedro de Muel, etc. Alcaide-mor de Leiria.  Foi também senhor das Canárias. Foi governador de Ceuta. Participou na Batalha de Toro. Fez parte dos juízes que condenaram à morte do Duque de Bragança, em 1483. Estava estava também junto da rainha Dona Leonor em 1493 quando esta recebeu Colombo. Mais

6.2. Constança de Noronha (1404-1480), 1ª Duquesa de Bragança.

Foi a 2ª.mulher de D. Afonso, I Duque de Bragança (1370-1461) ( 7 ). Esta Duquesa, que habitou durante dezenas de anos os Paços de Guimarães, depois de ficar viúva, envergou o hábito da Ordem Terceira de S. Francisco, tendo morrido com a fama de santidade (22), sendo-lhe atribuídos muitos milagres.(23). Foi sepultada na Igreja de S. Francisco de Guimarães. O seu túmulo foi alvo de enormes mutilações desde o século XVIII.

Não tendo filhos, assumiu como seu filho adoptivo - Pedro de Meneses, 1º. Marques de Vila Real, que se encontrou em Março de 1493, com Cristovão Colombo, quando este regressou da sua primeira viagem à Indias (América. Neste encontro, no convento franciscano de Santo António da Castanheira, estavam igualmente presentes, a Rainha Dona Leonor e o seu irmão e futuro rei - D. Manuel. Mais

 

6.3. Sancho de Noronha, 1º. Conde de Odemira.

Governador de armas do Algarve.

Casou-se com Mécia de Sousa, tendo gerado - Maria Enriques de Noronha ( 1440 - 1523 ), 1ª. Condessa de Faro, 2ª condessa de Odemira, casada com  Afonso de Bragança (? - Sevilha,1484)- 1º. Conde de Faro. O brasão era o mesmo da Casa de Bragança.  Fugiram para Castela em 1483.  Isabel, a Católica fez várias tentativas junta de D. João II para que esta pudesse regressar a Portugal. 

Fernando de Noronha, filho do 1º. Conde de Faro, acompanhou os pais na fuga ara Castela em 1483. Foi criado nos Paços dos Reis Católicos, esteve na guerra de Granada, regressou a Portugal com D. Jaime de Bragança. Foi mordomo-mor da Rainha D. Catarina. O Conde de Faro dotou em 1504, Ana Moniz, sobrinha de Colombo. Mais

6.4. Pedro de Noronha (? -1452), foi bispo de Évora (1419-1423), arcebispo de Lisboa (1424-1452)

Era das figuras mais poderosas do país na 1ª. metade do século XV. Foi um dos grandes inimigos do Infante D. Pedro, regente de Portugal devido aos ataques que este fez aos privilégios dos grandes senhores do reino. 

Mulheres:

6.4.1. Branca Dias Perestrelo, filha de Catarina Vicente e de Filipe Perestrelo (Filippone Palestrello). Desta relação nasceram sete filhos:

a )  Pedro de Noronha (-1492), senhor do Cadaval. Era mordomo-mor de D. João II, do conselho do rei, comendador-mor da Ordem de Santiago, embaixador ao papa Inocêncio VIII (14/6/1485).  D. João II, por carta de 14/2/1492, deu-lhe a jurisdição e as rendas do Cadaval e da Quinta do Gradil, sendo confirmadas por D. Manuel a 8/2/1496. Casou-se com  Catarina de Távora, filha de Martim Távora, mordomo-mor de D. Afonso V e de Beatriz Ataíde.   

Fez parte do conselho que apreciou, com D. João II, a ideia de Colombo. Defendeu com sólidos argumentos e com o peso da sua autoridade estas explorações marítimas, sendo que a sua opinião "foi abraçada pela numerosa assembleia e pelo rei" ( 6 ). Contra esta posição se opôs o Bispo de Tanger - Diogo Ortiz, natural de Castela e director espiritual de D. João II, que defendia que a prioridade devia de ser a guerra em África contra os mouros. 

Alguns historiadores, como dissemos, lançam a hipótese de Colombo ter entrado em Castela integrado na embaixada de Pedro Noronha ao papa, e depois ter ficado alojado em Sevilha na casa da marquesa. 

D seu casamento com Catarina Távora, nasceram três filhos, sendo de destacar o seguinte:

-  Martinho de Noronha. Vedor da Fazenda de D. João II. Senhor do Cadaval. Era da total confiança de D. João II. No dia em que o rei faleceu, não deixou se lhe fazer o pedido de Vila Nova para o seu filho (Cfr.Resende). Casou-se com Guiomar de Albuquerque, filha de Fernão de Albuquerque, 3º. Senhor de Vila Verde dos Francos, e da sua mulher Catarina Silva. Guiomar Albuquerque era sobrinha de Afonso de Albuquerque.

Martinho de Noronha, pelo seu casamento tornou-se senhor de Vila Verde de Francos. A 26/3/1504, recebeu as rendas equivalentes a que tinha direito pela cedência, em 1499 (?), a D. Alvaro do Cadaval e da Quinta do Gradil (13).

Foi quem recebeu Colombo em Lisboa, no regresso da sua 1ª. viagem às Indias (Março de 1493) e o levou Rio Tejo acima até D. João II em Vale do Paraiso (Azambuja). Achava-se em 1493 junto da rainha Dona Leonor quando esta recebeu Colombo no Convento de Santo António, em Vila Franca de Xira. Hospedou-o, em Alhandra, na Casa de Afonso de Albuquerque.

Era um homem de total confiança de D. João II, estando junto do rei, quando este faleceu em Alvor (cfr. Garcia de Resende). Era vedor da Fazenda e membro do Conselho régio.

b )  Isabel de Noronha, casada com D. João, Marquês de Montemor-o-novo; Fugiu para Castela em 1483.

c ) Inês Enriquez de Noronha, casada com João de Almeida, 2º, conde de Abrantes (1485-1512); Guarda-mor do Reino, do seu Conselho de D. João II e da sua fazenda.

d ) João Enriques de Noronha, Alcaide-mor de Óbidos. Foi casado com Felipa de Ataíde, filha de Alvaro Gonçalves de Ataide (1º. Conde de Atouguia, 1448-1452 ) e Leonor Telles de Menezes. O Conde de Atouguia foi proprietário das Ilhas ..... . Foi casado também com Constância de Castro, filha de Gonçalo  de Albuquerque, 3º. Senhor de Vila Verde dos Francos (Alenquer).

e ) Leonor Enriques de Noronha, casada com Lopo de Albuquerque, 1º. Conde de Penamacor. Fugiu para Castela em 1484. O seu filho adoptivo era o secretário (vitalício) de Colombo e do seu filho Diego.

f ) Fernando de Noronha (1450 - 1509), alcaide mor de Salir,  guarda-mor e governador da Casa da rainha D. Joana, a «Excelente Senhora», casou-se com Constança de Albuquerque., irmã herdeira do grande Afonso de Albuquerque, com geração (foram pais do vice-rei D. Garcia de Noronha). Encontra-se sepultando na Igreja do Convento de N.S. das Virtudes (Azambuja).

g ) Leão de Noronha, morreu solteiro nas guerras entre o Reino de Portugal e o Reino de Castela. Está sepultado em Sevilha. Mais

 

6.4.2. Branca Perestrelo (8), após ter morrido Isabel, o arcebispo virou-se para a sua irmã  e ter-lhe á feito outros filhos.   

O arcebispo, neto de D. Fernando I, deixou mais filhos de outras mulheres. Faleceu em Lisboa (12/8/1452), onde está sepultado na Sé, na antiga capela do Sacramento.   

Manuel de Noronha, neto de João Gonçalves Zarco, descobridor da Madeira, irmão de Simão Gonçalves  da Câmara, capitão do Funchal. Em 1510 destacou-se na defesa de Safim (Norte de África). O mesmo fez Francisco de Noronha, com a mesma descendência (irmãos ?). Colombo tinha uma enorme preocupação com a defesa desta fortaleza (1500). 

 

 

É fácil de perceber que estamos perante uma rede familiar que procura através de casamentos controlar  vastos domínios. 

Século XV: Os Noronhas estão ligados aos Braganças, Albuquerques, Menezes, Ataides e Zarcos (Câmaras, Perestrelos, Monizes) e Melos

 

 

 Carlos Fontes

  Notas:

(1 ) Gil, Juan - El Entorno portugués de la Marquesa de Montemayor en Sevilla", Actas do III Colóquio Internacional de História da Madeira, Madeira. 1993. Um estudo fundamental sobre a marquesa em Sevilha.

(2 )Relação da vida, acçoens, e morte do Duque de Bragança D. Fernando degolado na cidade de Evora em 2 de Julho de 1483. Relação da vida, acçoens e morte em estatua do Marques de Montemor o Novo D. João irmão do 3'Duque de Bragança D. Fernando. 17-- 

( 3 )  D. João II, a 18/12/1483, entregou a alcaidaria-mor a Fernão Martins de Mascarenhas, seu capitão dos ginetes, que já havia sido de D. Afonso V e o há-de ser de D. Manuel I.  

(5) Beaumont, Maria Alice -Cartas e alvarás dos Faros da casa Vimieiro : incluíndo dezanove cartas do Museu -Biblioteca do Paço Ducal de Vila Viçosa,  1968...p. 31

( 6 ) Silva, Manuel Telles da - Vida e Feitos de D. João II, Lisboa. INCM. pág.105-106.

(7 ) Teixeira, Andre Pinto de Sousa - Uma Linhagem ao Serviço da "Ideia Imperial Manuelina". Noronha e Meneses", in, Actas do Colóqui Internacional. A Alta Nobreza....

A primeira esposa do 1º. Duque de Bragança foi Beatriz Pereira Alvim, filha do condestável D. Nuno Álvares Pereira.

(8) Dona Branca Perestrelo casou-se posteriormente com Aires Anes de Beja, vizinho de Coimbra, dando-lhe numerosa descendência (perestrelos de Beja). 

(9) Gil, Juan - Los Conversos y la Inquisicion de Sevilla, vol. II, p.337

(10) Otte, Enrique - Diego Cabellero, funcionario de la Casa de la Contratación, in, La Casa de la Contratación y la Navegación entre España y las Indias. Universidad de Sevilla

(11) "Escritura otorgada por el Almirante D. Diego Colón, hijo de D. Cristóbal, ante Andrés Pérez, escribano de Sevilla, el 27 de Noviembre de 1523, en la morada de la señora Marquesa de Montemayor , confirmando la escritura de traspaso á favor de su hermano D. Fernando Colón, otorgada en La Coruña en 17 de Mayo de 1520, de 900.000 maravedís que Francisco del Alcázar, veinticuatro de Sevilla, le debía y estaba obligado a pagarle de la venta de la Villa de la Palma y fortaleza de Alpizar, con otra cuantía de maravedís.- Notaría núm. 10 de la Ciudad de Sevilla.- libro correspondiente al año 1523.- Archivo General de Protocolos." As propriedades foram depois vendidas a D. Fernando, conde de Belalcázar (cfr."Colección de Documentos inéditos". Sevilla, 1892)

(12)

(13) Oliveira e Costa, João Paulo - D. Manuel I, p.115

(14) Entre as acções de relevo militares em que participou, destacam-se as seguintes: Em 1476 (?), D. Afonso V, manda-o combater um corsário inglês - Phoccumbrix, que assaltara no canal de Inglaterra 12 navios portugueses que vinham da Flandres. Em 1471, após a conquista de Arzila, o rei manda-o meter-se dentro da cidade de Tanger (28/8/1471), da qual foi provisoriamente governador. Crf. Salgado, Anastásia Mestrinho - O Marquês de Montemor e a sua vida pública. Edições Cosmos. Lisboa. 1997.

(15) Cordeiro de Sousa, José Maria - As Sepulturas dos Marqueses de Montemor em Santa Paula de Sevilha.

(16) A  Marquesa de Montemor, em 1511, fez um contrato com o Duque de Bragança - D. Jaime -, no qual faz cessão de todas as pretensões que tinha na Casa de Bragança respeitantes a arras e dote.

(17)  Freire, Anselmo Braancamp. Brasões da Sala de Sintra. Op. cit..p. 300

(18) Isabel Henriques de Noronha recebia em Portugal uma tença desde 1 de Janeiro de 1480, no valor de cem mil reais brancos e de assentamento igual quantia desde 1 de Janeiro de 1481.

(19) “Viernes dia del nascimento de nuestra señora a ocho de setiembres de 1508 batiza[sic] a juan batista fijo de niculoso Francisco y elena de villar y fueron padrynos alfaro y solis canonigos de la iglesia mayor de seuilla y madrynas ysabel salvago y vyolante guynis sobrina de la marquesa de Portugal e batizolo el bachiller alonso oerez de las eras”( livro I de Batismos da Igreja de Santa Ana). Citado e transcrito por Pérez, José Gestoso. História de los Barros Vidrados Sevillanos. Op. cit..p. 172."

O historiador Rui A. Trindade, que publicou esta citação-transcrição, na sua tese de doutoramento repetiu o erro de Gestoso ao confundir o nome de Violante Moniz Perestrelo com "vyolante guynis". Um facto que não lhe permitiu perceber a enorme teia de relações do ceramista italiano com Portugal.

(20) Gil, Juan - El Entorno portugués de la Marquesa de Montemayor en Sevilla, pp.71-72

(21) Fonseca, Jorge - D. João, Marquês de Montemor-o-novo. Uma vida entre duas épocas. Lisboa. Dinalivro. 2010

(22) Rosa, Maria de Lurdes - A Santidade no Portugal Medieval: narrativas e trajectos de via, in, Lusitania Sacra. 2ª. Série. Tomo XIII- XIV. 2001/2.;

(23)  Craesbeck, F. X. da Serra (1992) [1726], Memórias Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho no ano de 1726. Ponte de Lima: Edições Carvalhos de Basto Lda; Frei Manuel de Esperança (1656), História Seráfica Cronológica da Ordem de S. Francisco na província de Portugal. Lisboa: Na oficc.Craesberkiana

(24) Catarina de Madureira (Catalina Madureira, em castelhano), era uma donzela muito culta. Em 1524 tinha, contava pelo menos com nove livros de devoção  que se encontram em Sevilha: Biblioteca Capitular y Colombina. Fondo Gestoso, leg. XXVI, 161-165. cfr. Márquez, Carmen Álvarez- Mujeres Lectoras en el Siglo XVI en Sevilla, HID 31 (2004).

(25) Salgado, Anastácia e Abílio José - O Alcaide de Montemor-o-Novo Fernão Martins Mascarenhas no Contexto Político da Época, in, Almansor, Montemor-o-Novo, 1 (1983), pp.28-38

(26) O principe D. Afonso foi entregue a  24/5/1483 aos embaixadores Pedro de Noronha (mordomo-mor), Juham Teixeira (chanceler-mor) e Frei António, confessor do rei.

(28) Garcia de Resende, ob. cit., cap.XXX, cap. XXXVIII.

(29) Damião de Góis - Crónica do Principe D. João, cap. XX, p. 24

(30) A descrição da sua morte consta num manuscrito do Convento de Santa Paula, datado de 1791: Relación mui verdadera de la ereccion y fundación .... No entanto, um outro documento existente na Torre do Tombo, parece revelar que estaria vivo em 1487 (TT. Chanc. de D. João II, Liv. 20. fl. 80 v. 14.5.1487) , cfr.  Jorge Fonseca, ob. cit., p.126

(31) Gil, Juan - El Entorno portugues de la marquesa de montemayor en sevilla, pp. 59 e 67

(32) Sousa, J. M. Cordeiro - As Sepulturas dos Marqueses de Montemor em Santa Paula de Sevilha. Sep. da Revista de Arqueologia. Lisboa. 1935

 

 

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