Carlos Fontes

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Anarquismo em Portugal

Carlos Fontes

O Anarquismo em Portugal tem mais de 170 anos de existência. Ao longo dos tempos o seu ideário foi sempre amplamente discutido, no entanto os caminhos apontados para o concretizar raramente foram consensuais, daí a diversidade de causas abraçadas pelos anarquistas.

Entre os princípios do anarquismo que nortearam a ação de incontáveis homens e mulheres o principal foi a libertação do Ser Humano de tudo o que o inferioriza, o impede de se assumir como um ser autónomo que pensa e decide pela sua cabeça. O seu ideal de sociedade está subordinado à Liberdade, condicionando a sua forma de organização e os meios de a atingir. São princípios que fundamentam uma ética de insubmissão.

A revolta é espontânea. É fruto de uma tomada de consciência de um individuo que sente a opressão, manipulação ou a injustiça seja sobre o próprio ou um semelhante. Este é outro princípio comum a todos os anarquistas. Neste sentido, opõem-se a qualquer tipo vanguarda de iluminados que lhes imponha o que devem pensar, como o devem fazer e agir.

Em todas as revoluções sociais contemporâneas estiveram sempre presentes e procuraram expressar as suas posições, e sempre que as condições o proporcionaram tentaram concretizar os seus princípios políticos. Os mais individualistas entre eles nunca renegaram o seu papel social. O campo privilegiado de luta é o quotidiano, os locais de trabalho ou de residência onde o domínio (poder) de uns sobre outros se exerce. Foi sempre assim ao longo da sua história. Quando tudo parece normalizado, conformado ou pacificado ressurgem através de combates individuais ou de pequenos grupos impelidos por uma ética libertária que não reclama reconhecimento social.

O anarquismo na sua radical afirmação da Liberdade é por natureza plural, combate o dogmatismo, as ideias únicas. Ao centralismo opõe o federalismo porque permite uma gestão mais participada, próxima de cada individuo, evita o dirigismo. No campo libertário não há uma única doutrina, estratégia ou meios de luta para a Anarquia mas várias.

Neste sentido abdicamos de adjectivar as suas várias tendências (mutualistas, cooperativistas, colectivistas, comunistas, individualistas, sindicalistas, etc). Adjectivos que tornam muitas vezes incompreensíveis o próprio movimento e a sua constante renovação.

A repercussão social do anarquismo tem variado bastante ao longo da história de Portugal. Para uma melhor compreensão dos respectivos contextos sociais dividimos a sua história em sete grandes períodos.

 

1850-1870: Proudhon e o Mutualismo

1871- 1885: A Influência de Bakunine

1886-1910: O Anarquismo Revolucionário. Kropotkin

1910-1926: Educação e Sindicalismo

1926-1974: Ditadura e Resistência

1974 -1989: Crítica do Poder e Acção Directa

1990-2020: Novas Perspectivas - Novas Lutas

 

Notas

 

 

 

 

Anarquismo (literalmente "sem poder") 

Movimento político que defende uma organização social baseada em consensos e na cooperação de indivíduos livres e autónos, abolindo entre eles todas as formas de poder. A Anarquia seria assim uma sociedade sem poder, dado que os indivíduos se auto-organizariam de tal forma que garantiriam que cada um teria em todas as circunstâncias a mesma capacidade de decisão. Esta sociedade, objecto de inúmeras configurações, apresenta-se como uma "Utopia" (algo sem tempo ou espaço determinado). É um ideal a atingir. Continuação

Filosofias Anarquistas

Dadas as características do movimento anarquista é impressionante a diversidade de filosofias no campo libertário. Continuação

 

 

 

 

   

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