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Filorbis.Carlos Fontes Anterior . Próximo      

 

 

 

 

Aires Augusto Nascimento

 

10. 1. Iluminura

 

O primeiro texto onde aborda especificamente a questão da iluminura, como área da História da Arte, é para fazer uma recensão crítica ao artigo de Maria Adelaide Miranda - A Inicial ornada nos maniuscritos Alcobacenses (Ler História, 8, 1986, 3-33) (4), na revista Scriptorium - Reveu International des Études Relatives aux Manuscripts, XLIII, 1989, vol.1, entrada 457 do Bulletim Codicologique. Assinala dois aspectos que este tipo de análises da iluminura, centradas na autonomia da imagem, podem cair: generalizações abusivas, devido à separação da imagem do texto, potenciando que os textos sejam esquecidos neste processo (autores, circulação de cópias, etc). Os estudos sobre iluminura em Portugal, que desde os anos 80 do século XX, tem registado um forte incremento, têm contado sempre com a participação de Aires dos Nascimento no seu desenvolvimento. Um dos pontos altos desta intervenção e colaboração foi a exposição e o catálogo - A Iluminura em Portugal: Identidades e Influências de 26/4 a 30/6 de 1999, na B.N. de Lisboa, que parece também ter produzido uma mudança na importância que conferiu à iluminura e à imagem.

- A Iluminura, um traço distintivo, in, A Torre do Tombo na Viragem do século. Catálogo de Exposição, Lisboa. ANTT, 2000, 29-33.

- Pictura tacitum poema: texto e imagen no livro medieval. Actas [del] III Congreso Hispánico de Latín Medieval : (León, 26-29 de spetiembre de 2001), Vol. 1, 2002,  págs. 31-52

- A imagem no texto: esplendor do livro e marcação de leitura no manuscrito medieval . (2006) - In: Homenagem Jorge H. Pais da Silva p. 79-113

- A Imagem no texto: esplendor do livro e marcação de leitura no manuscrito medieval, in, Arte, História e Arqueologia: O Pretérito (sempre) presente, ..., 2006, 79-113.

- “La couleur et l’image dans la couvrure de la reliure médié- vale: quelques données des sources portugaises”, Actes, Paris IRHT / CNRS, 2007, pp. 359 -367.

- O poder da imagem: encantos, ambiguidades e valorizações, in, Revista de História de Arte, 7, 2009, 17-41.

- O cromatismo do texto, in, Actas do VII Colóquio da Secção Portuguesa da AHLM - As Cores, ....Lisboa, Universidade Aberta, 2011, 13-37.

Aires Augusto Nascimento, como já referimos, tem arguido várias provas de doutoramento em iluminura, como a de Maria Adelaide Miranda (1996), Inês Correia (2015), Delmira Espada Custódio (2017). É uma presença constante no circulo de investigadores nesta área em Portugal.

11. Bibliotecas, Arquivos e Leitores

O seu interesse pelo estudo das bibliotecas medievais está ligado a Alcobaça. Em 1979 comemorava-se o VIII centenário da fundação do Mosteiro de Alcobaça. A Biblioteca Nacional de Lisboa pretendia publicar um inventário completo dos códices alcobacenses. Outras iniciativas estavam igualmente a serem organizadas. Aires A. Nascimento foi chamado a colaborar nestas comemorações, nomeadamente na inventariação e estudo dos códices alcobacenses.

A Associação para a Defesa do Património Cultural de Alcobaça, promoveu de 24 a 29 de Maio de 1978, um congresso Internacional sobre Alcobaça. Nas conferências que então ocorreram, Aires do Nascimento falou sobre "A elaboração de um Códice Alcobacense: Análise Através do Cod. 6747 da B.N. de Lisboa - Espelho de Cristãos Novos, de Francisco Machado". Nesta conferência revela já um amplo conhecimento da biblioteca medieval de Alcobaça, mais também das técnicas de análise codicológica dos seus códices,. O que demonstra quando analisa as insuficiências de uma edição do códice 6747 feita pela Universidade de Wisconsin, da autoria de Mildred Evelyn Dordick Vieira e Frank Ephraim Talmage (1).

Foi com grande expectativa que, em 1980, acompanhou a microfilmagem dos códices alcobacenses por uma biblioteca americana. O resultado do "catálogo" que surgiu anos depois nos EUA deixou-o profundamente triste, ao ponto de escrever que a edição se tratou de um "malogro" (2). Os códices de Alcobaça, como os de outros fundos medievais em Portugal, requerem estudos e um tratamento mais rigoroso para poderem ser valorizados na sua devida dimensão internacional.

Estes trabalhos sobre manuscritos, permitem-lhe adquirir uma visão das bibliotecas e arquivos do país, o que o levou a integrar o Conselho Superior de Arquivos entre 1988 e 2004, e num período particulamente conturbado a presidir ao Instituto Português de Arquivos (1990-1991) (3).

Assinala-se o facto de ao longo dos anos ter vindo a colaborar na organização e divulgação do espólio de vários arquivos do país.

A ler:

- Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira : sete séculos de memória : guia. Ericeira . Mar de Letras. 1998

 

11. 1. Alcobaça

 

A colecção de códices (456) do Mosteiro de Alcobaça, conservados na B.N.Portugal, a partir de 1977 tornaram-se numa fonte inesgotável de conhecimento que, sob várias perspectivas, alimentará dezenas dos seus estudos.

A ler de Aires A. Nascimento:

- Inventário dos Códices Alcobacenses. 6º. Fascículo. Índices. BNL. Lisboa. 1978. O 5º. Fascículo, o último, fora publicado em 1930. Colaboração e coordenação. O projecto de um índice sistemático,  segundo Isabel Cepeda, partiu inicialmente de Manuel C. Diaz y Diaz.

 

- Em busca dos códices alcobacenses perdidos,  Didaskalia, IX, 1979, pp. 279-288

 

- Os códices alcobacenses da Biblioteca Nacional de Lisboa e o seu significado cultural. In Exposição evocativa dos Códices Alcobacenses no VIII centenário da Fundação do Mosteiro de Alcobaça. Lisboa: Biblioteca Nacional de Lisboa, 1979.

 

- A propósito da ediçao de um códice alcobacense, EUPHROSYNE, nº9, 1979

 

- Da poesia rítmica latino-medieval e das suas sobrevivências no Fundo Alcobacense.
. (1980) - In: Euphrosyne Ser. NS, vol. 10 (1980) p. 173-183

 

- Diferenças e continuidade na encadernação alcobacense: sua importância para a história do «scriptorium» de Alcobaça. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1983. Separata da Revista da Faculdade de Letras, nº especial (1983).

La reliure médiévale: une forme de relation avec le livre. Fonctionnalité et sens des différences. Bolletino dell'Istituto Centrale per la Patologia del Libro. 44-45 (1990-91) 263-294.

 

- Encadernação medieval portuguesa, com António Dias Diogo, Lisboa, Imprensa Nacional,  - Casa da Moeda, 1984.

 

- Le «scriptorium» d’Alcobaça: identité et corrélations. Lusitania Sacra. 4 (1992) 149-162.

 

- Fr. Manoel dos Santos, Descrição do Real Mosteiro de Alcobaça- edição, introdução e notas ao Alc. 307, fols. I-35, Alcobaça, 1979.

 

- A experiência do livro no primitivo meio alcobacense. In IX Centenário do Nascimento de S. Bernardo. Encontros de Alcobaça e Simpósio de Lisboa. Actas. Braga: Universidade Católica Portuguesa - Câmara Municipal de Alcobaça, 1991, p. 121-145.

 

- Livros e leituras em ambiente cisterciense. In IX Centenário do nascimento de S. Bernardo. Encontros de Alcobaça e simpósio de Lisboa. Actas. Braga. 1991, p. 148-165

 

-  «Poggio e o seu interesse por códices de Alcobaça», Revista da Faculdade de Letras de Lisboa (Volume de Homenagem ao Prof. J. V. Pina Martins), nº 13-14, (1990 – realmente 1993), 37-40

 

- Guido de Warwick, historia latine exarata: um epígono de romance de cavalaria, entre os monges de Alcobaça. Medioevo y literatura : actas del V Congreso de la Asociacion Hispánica de Literatura Medieval / coord. por Juan Salvador Paredes Núñez, Vol. 3, 1995, págs. 447-462


- Milagres medievais numa colectânea mariana alcobacence. Milagres da santíssima virgem Maria] : / edição crítica, tradução e estudo de Aires A. Nascimento / Lisboa : Edições Colibri , DL 2004

 

- Ecouter la voix de l'époux: les stratégies de la spiritualité médiévale - l'intensification de lecture du cantique des cantiques (à propos des rubriques d'un manuscrit cistercien portugais du XIIIe siècle). (1998) - In: Spiritualität im Europa des Mittelalters p. 53-64

 

- Gramática no claustro: regresso aos manuscritos de Alcobaca em revisitaçoes filológicas. (2012) - In: Ways of approaching knowledge in late antiquity and the early middle ages p. 313-332

 

- Alcobaça e Odivelas, duas faces da observância cisterciense. (2013) - In: Mosteiros cistercienses. História, Arte, Espiritualidade Pt. 2 p. 449-470



 

Aires A. Nascimento e a professora Iria Gonçalves, eminente medievalista, que se tem dedicado ao estudo de temáticas como a organização do espaço, alimentação, antroponímica e a fiscalidade. Na sua importante obra, destacamos "O Património do Mosteiro de Alcobaça nos Séculos XIV e XV", Lisboa,1989.

Os estudo dos códices de Alcobaça levaram-lhe ao estudo da história de Cister, pensamento e obra São Bernardo de Claraval e outros cistercienses.

- Cister: Documentos primitivos. Introdução, tradução e notas aos documentos anteriores à acção de Bernardo de Claraval, Lisboa, Ed. Colibri, 1999.

- Livros e leituras em ambiente cisterciense, IX centenário do nascimento de S. Bernardo - Encontros de Alcobaça e Simpósio de Lisboa -Actas, Braga, 1991, 148-165.

- Cister e Cluni: espiritualidade em convergência na disselhança, Igreja e Missão, 192-193, 2003, 59-96.

Só na aparência estamos perante uma recolha de textos que haviam sido "espalhados por várias partes", trata-se antes da reconstituição de um texto, cujos capítulos o autor foi escrevendo ao longo dos 30 anos, numa sequência ditada por um questionamento próprio e as circunstâncias. Não espanta pois que o primeiro texto seja de 1999, seguido de outros de 1992, 1991, 1992, 1984, 1998, 1987, 1979, 1986 e 2004. Seguindo o aforismo de Heraclito de Éfeso, não se limitou a reproduzir o que outrora publicou, nada se dá da mesma forma. A tarefa é agora a de ordenar, completar, encontrar uma coerência cada vez mais global. Aqui e ali vai deixando notas sobre caminhos a percorrer.

Após uma análise exaustiva às condições materiais e intelectuais envolvidas no planeamento e produção de um livro, emerge uma questão: - qual o grau de liberdade que possuía o iluminador ? Seria um simples executante de um programa previamente definido ? (p.85). A problema é metodológico, como adverte: "Quem nunca analisou um livro, pensará que tudo é simples ou que tudo se improvisa no momento de começar a escrever: ora, uma das maiores aqusições da análise codicológica foi desvendar a complexidade do livro e atender aos vários momentos da sua confecção" (p.117).

11.2. Santa Cruz

Durante as comemorações do VIII centenário do nascimento de Santo António de Lisboa, em 1995, foi projectado elaborar o catálogo dos códices de mão do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (97 códices), existentes na Biblioteca Pública Municipal do Porto. Foi então constituida uma equipa de investigadores, de que faziam parte Agostinho Figueiredo Frias, Bernardino Costa Marques, Joana Lencart e Silva -, sob a coordenação geral de Aires Augusto do Nascimento e José Francisco Meirinhos. O resultado foi uma obra impar para o estudo da cultura portuguesa.

A ler de Aires A. Nascimento:

- Catálogo dos códices da Livraria de Mão do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra na Biblioteca Pública Municipal do Porto

 

- Paio de Coimbra, Frei. In Dicionário de literatura medieval galega e portuguesa. Coord. G. Lanciani e G. Tavani. Lisboa: Caminho, 1993, p. 504-506.

 

- O «scriptorium» de Santa Cruz de Coimbra: momentos da sua história. In Catálogo dos códices da livraria de mão do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra na Biblioteca Municipal do Porto. Coord. A. A. Nascimento e J. F. Meirinhos. Porto: Biblioteca Pública Municipal, 1997, p. LXIX-XCV.

 

- Santa Cruz de Coimbra: as motivações de uma fundação regular. In Congresso Histórico de Guimarães - D. Afonso Henriques e a sua época. Actas. Vol. 4. Câmara Municipal de Guimarães e Universidade do Minho: 1997, p. 126.

 

11.3. S. Vicente de Fora

A ler de Aires A. Nascimento:

- Livros e claustro no século XIII em Portugal. O inventário da livraria de S. Vicente de Fora em Lisboa. Didaskalia. 15 (1985) 229-242.

 

- Notícia da Fundação do Mosteiro de S. Vicente de Lisboa. (2001) - In: A conquista de Lisboa aos Mouros. Relato de um Cruzado p. 178-19

 

11.4. Lorvão

Os seus contributos para a história e valorização deste mosteiro do Lorvão são por demais conhecidos, daí a "honra" que naturalmente lhe coube, quando foi chamado a participar no processo que serviu para inscrever o chamado "Apocalipse do Lorvão" no Património Cultural da Humanidade (2015).

A ler de Aires A. Nascimento:

- O "Comentário ao Apocalipse" de Beato de Liébana: entre gramática e escatologia.(2000) - In: Euphrosyne Ser. NS, vol. 28 (2000) p. 129-156

- Um novo testemunho do passionário hispànico: un códice lorvanense da primeira metade do século XII ( Lisboa, ANTT, Lorvao, C. F. Livr. 16).Sub luce Florentis Calami: homenaje a Manuel C. Díaz y Díaz / coord. por Manuela Domínguez García, 2002, págs. 452-477

 

- Ao encontro do quotidiano: mecanismos para o estudo da expressão latinomedieval através do Liber Testamentorum do mosteiro de Lorvao. (2007) - In: Monarquía y sociedad en el Reino de León. De Alfonso III a Alfonso VII Pt. 1 p. 315-340
 

-  Liber testamentorum Coenobii Laurbanensis / [presentación de Aires A. Nascimento y José Ma Fernandez Catón] / León : Centro de estudios e investigación "San Isidoro" , 2008

- Aspectos lexicais de expressão do espaço (delimitação e localização) no Cartulário de Lorvão, ...2008, 397-416.

- Tempos e livros medievos: os antigos códices de Lorvão - do esquecimnento à recuperação de tradições, Compostelanum, 56, 2011, 729-753.

 

- Edição do Cartulário de Lorvão: para a valorização de Património arquivístico comum. (2011) - In: Quando Portugal era Reino de Leão p. 261-270

 

-  Códices antigos de Lorvão: um manuscrito perdido, mas referenciado. (2014) - In: Wisigothica. After M. C. Díaz y Díaz p. 595-608

- Os Antigos Códices do Lorvão. Balanço de Pesquisa e Recuperação de Tradições. Penacova.

Um dos objectivos desta magnifica síntese – Os antigos códices do Lorvão: balanço de pesquisa e recuperação de tradições (7 )-  está expressa nas primeiras páginas: trazer a público o património que é nosso, mas inseri-lo numa comunidade alargada, global, à qual também pertence e onde deve também ser valorizado. Sobre a atividade do scriptorium no século XII, em onze pontos fixa as conclusões a que chegou depois de longos anos de investigação. Mais uma vez (8) , não deixou de fazer uma revisão do que se sabe de revelante desta comunidade monástica, cujas origem poderá remontar ao século VII . Uma remota origem da maior relevância:  “Se assim foi, escreve, teremos de pressupor a existência de uma comunidade certamente servida por algum cenóbio ali constituído.” (Os Antigos códices de Lorvão, p.16).  

11.5. Arouca

A ler de Aires A. Nascimento:

- "Osculetur me osculo oris sui": uma leitura a várias vozes ou dramatização do "Livro dos Cantares" num manuscrito cisterciense de Arouca. Actas do IV Congresso da Associaçâo Hispânica de Literatura Medieval: (Lisboa, 1-5 Outubro 1991) / coord. por Aires Augusto Nascimento, Cristina Almeida Ribeiro, Vol. 1, 1993 (Sessões plenárias, págs. 49-55

- “Livros e tradições hispânicas no mosteiro cisterciense de Arouca”, in Escritos dedicados a José María Fernández Catón, León, Centro de Estudios e Investigación
“San Isidoro”, Archivo Histórico Diocesano, 2004, vol. II, pp. 1041-1058

 

11.6. Livrarias de Príncipes

A ler de Aires A. Nascimento:

- As livrarias dos príncipes de Avis, Biblos, 69, 1993, 265-287

-  Leitura de príncipes: Gui de Warwick, um romance de cavalaria na corte de Avis, Oceanos, 17 (Março de 1994), 58-64.

- Manuscritos e Textos dos Príncipes de Avis: o Leal Conselheiro e Outros Manuscritos: Problemas de Deriva Filológica e Tentativa de Reintegração.(2006) - In: Studies Arthur L.-F. Askins p. 269-288

 

11.7. FCG

Na última década do século XX a Fundação Calouste Gulbenkian convidou reputados especialistas internacionais para estudarem os preciosos códices ocidentais da colecção do fundador. A FCG pretendia com esta acção publicar um catálogo. Aires A. Nascimento foi naturalmente um dos convidados. É neste contexto que concebe e coordena o catálogo e a exposição - A Imagem do Tempo: Livros Manuscritos ocidentais (31 de Março a 2 de Julho de 2000), Lisboa, 2000.

A ler de Aires A. Nascimento:

- Acção de recuperação de ordem dos fólios nos códices ocidentais da colecção do Museu Calouste Gulbenkian, in, Do Bisturi ao Laser - Oficina de Restauro.Lisboa. FCG. 1995, 59-60.

- Manuscrito quatrocentista de Petrarca na colecção Calouste Gulbenkian, em Lisboa: Canzoniere e Triumphi», Cultura Neolatina, 64, fasc. 3-4 (2004), 325-410.

- Un Libro de Horas de excepcional calidad (Lisboa, Col. C. Gulbenkian, LA 135): descripción codicológica, problemas e interpretaciones, in, Librio de Horas de Gulbenkian (LA 135) - Libro de Estudios, Madrid, AyN Ediciones, 2009, 27-79.

- Apocalipsis Gulbenkian, Descripción codicológica e paleográfica.... Barcelona, M. Moleiro Editor, 2002. 189-240.

11.8. Fragmentos e Acontecimentos

A descoberta de fragmentos de manuscritos medievais tem-lhe permitido chamar à atenção para outros horizontes de comunidades textuais ignoradas, esquecidas no tempo. Trata-se de trabalho minucioso de identificação de textos, possiveis proprietários, circulação de manuscritos.

O estudo das bibliotecas medievais implicou uma abordagem à génese das comunidades que as constituiram, a acontecimentos marcantes da implantação do cristianismo no atual território de Portugal.

A ler de Aires A. Nascimento:

- O III Concílio de Toledo e a histografia portuguesa: do silêncio consentido à utilização deliberada..., 1992.

- Actas do XIII Concílio de Toledo (a. D. 683). Fragmento visigótico (c.950): o livro solene..., 1999

- Actas do Concílio de Callcedónia de 451 (fragmento visigótico): o relevo da inicial..., 1999

- A Cultura bracarense no séc. VI: uma revisitação necessária. (2006) - In: Estudos José Marques Pt. 1 p. 87-104

- Um fragmento de Differentiae uerboirum em letra carolina, 2004, 265-282

- Novos fragmentos de textos portugueses medievais descobertos na Torre do Tombo: horizontes de uma cultura integrada,...2005, 7-24.

- Fragmento olisiponense das Falsas Decretais, ...,2010, 37-54.

- Um fragmento de sermão do século XIII em honra de Santo António: a águia, o anjo e o livro, ...1996, vol.II, 917-936.

- Festus ex recensione Pauli: fragmentos de letra carolina em arquivos portugueses, ...33, 2005, 429-446.

11.9. Livros, Leitores e Circulação de Manuscritos

A ler de Aires A. Nascimento:

- A Igreja na história da cultura: percursos do livro em Portugal na Idade Média, in Igreja e Missão, 18 (2000), p.139-201.

 

- Circulação do livro manuscrito. In Dicionário de Literatura medieval galega e portuguesa. Dir. G. Lancian e G. Tavani. Lisboa: Caminho, 1993, p. 155-159. B i b l i o g r a f i a [ 6 7 3 ]

 

- Concentração, dispersão e dependências na circulação de manuscritos em Portugal nos séculos XII e XIII. In Colóquio sobre sobre circulación de códices y escritos entre Europa y la Península en los siglos VIII-XIII. Actas. Santiago de Compostela: Universidade de Compostela, 1988, p. 61-85.

 

- Em nome do livro manuscrito: por entre alheamento e valorização de um património privilegiado, Leituras: Revista da Biblioteca Nacional de Lisboa, s. 3, nº 14-15 (Abril 2004-Abril 2005), 103-132

 

- Monges, livro e leituras: modos de espiritualidade e preservação de textos», in Os Beneditinos na Europa - I Congresso Internacional (23-26 de Novembro de 1995), Santo Tirso, 1999.

 

- D. Diogo de Sousa (1460-1532), bispo do Porto, homem de livros e leitor de Savonarola. (1998) - In: Humanitas (Coimbra) vol. 50 (1998) p. 701-708
 

- Ler contra o tempo : condições dos textos na cultura portuguesa (recolha de estudos em Hora de Vésperas) / Aires A. Nascimento / Lisboa : Centro de estudos clássicos , 2012

 

- Literacia, leitura, (des)bloqueamentos, in, Península, Revista de Estudos Ibéricos, n.º 3,| 2006: 289-309

 

- Transpor fronteiras: o livro e a biblioteca como inclusao cultural. (2012) - In: Euphrosyne vol. 40 (2012) p. 261-279

O estudo da circulação das cópias dos manuscritos, e as alterações que os textos foram sofrendo ao longo do tempo, está presente em muitos dos seus textos. Dois destes estudos são reveladores da complexidade deste trabalho:

- O Leal Conselheiro de D. Duarte: problemas de deriva filológica e tentativa de reintegração, in ...

- As voltas do "Livro de José Arimateia": em busca de um percurso, a propósito de um fragmento trecentista recuperado, in...

 

12. Hagiografia, Peregrinações, Milagres e Relíquias

De forma sistemática desde 1985 tem vindo a tratar dos problemas da hagiografia, abordando em multiplos estudos os mais variados aspectos da vida de santos, como S. Frei Gil de Santarém, S. Vicente de Lisboa, S. Teotónio, S. Martinho de Braga, S. Brandão, S. Nuno Santa Maria, S. Tomás de Cantuária ou Santa Iria. Trata-se de uma abordagem realizada a partir da análise crítica das fontes documentais.

Recorde-se todavia que na sua tese de doutoramento, defendida no dia 1 de Fevereiro de 1978, apresentou uma dissertação complementar com três trabalhos sobre latim medieval - Vita S. Fructuosi e Vita S. Martini Saurensis.

A ler de Aires do Nascimento:

- «Hagiografia», Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa, org. Giuseppe Tavani e Giulia Lanciani, Lisboa, Caminho, 1993

- Hagiografia de Santa Cruz de Coimbra / edição crítica de textos latinos, tradução, estudo introdutório e notas de comentário, Aires A. Nascimento / Lisboa : Edições Colibri , 1998

- «Um traço singular em textos hagiográficos bracarenses medievais: a 1ª pessoa verbal», Theologica, II série, vol.XXXV, fasc.2 (2000), pp. 589-598

- Literatura Religiosa.I., Época Medieval, in, Dicionário de História Religiosa de Portugal, dir. Carlos Moreira Azevedo, Lisboa, Círculo de Leitores, 2001, 113-125.

- Crenças e devoções. (2005) - In: A nova Lisboa medieval. Actas do I encontro p. 11-24

a) Frei Gil de Santarém

- Vida de S. Fr. Gil de Santarém de Baltazar de S. João. 1982

- Frei Gil de Santarém, o Fausto português. In Colóquio S. Frei Gil de Santarém. Actas. Lisboa: [s.n.], 1992, p. 11-24.

- Frei Gil de Santarém, o Fausto português. In Colóquio S. Frei Gil de Santarém. Actas. Lisboa: [s.n.], 1992, p. 11-24

- Gil de Santarém, Frei. In Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa. Org. e coord. G. Lanciani e G. Tavani. Lisboa: Caminho, 1993, p. 294-295.

- O pacto com o demónio em fontes medievais portuguesas: Teófilo e Fr. Gil de Santarém. In III Congreso de la Asociación Hispánica de Literatura Medieval. Actas. Vol. 2. [sl]: [s.n.], 1994, p. 737-746.

Foi a “primeira” tradução e estudo académico da vida de um santo – Frei Gil de Santarém. O que surpreende desde logo são as questões metodológicas colocadas por Aires do Nascimento na abordagem da temática da hagiografia, na forma como “desmonta a narrativa” (...), “os elos de uma cadeia que não sabemos onde começa.” (p.19). Uma preocupação e um rigor que irá manter no estudo das narrativas de outros santos.

b) S. Vicente

-  S. Vicente de Lisboa e seus milagres medievais, com Didaskalia. 15 (1985) 73-169.

- S. Vicente de Lisboa : legendas, milagres e culto (testemunhos lationomedievais), Lisboa, Centro de Estudos Clássicos, 2011.

- L e t r a d o s  e  c u l t u r a  l e t r a d a ( s é c s . X I I - X I I I ), com Saul Gomes - S. Vicente de Lisboa e seus milagres medievais.

- Por S. Vicente de Lisboa: ao encontro da Memória, da Festa e da Universidade, in, ....2009, 71-87.

Aires A. Nascimento Olissipógrafo? O estudo e tradução de uma coleção de milagres do mártir S. Vicente encontrada na Biblioteca Nacional de Portugal, é demonstrativo da complexidade dos textos tornados por si acessíveis por Aires do Nascimento, neste caso, em colaboração com Saul António Gomes. Qual a razão por que é escolhido para patrono de uma cidade que acabava de ser reconquistada? Não faltavam na cidade no século XII, santos aí fixados há muito.  A partir desta questão se desdobram muitas outras, como as de natureza política: a necessidade de encontrar uma proteção divina, identitária e simbólica para a nova urbe que se irá afirmar na cristandade.  Se tivermos em consideração a sua vasta obra descobrimos que a temática de Lisboa está presente em muitos dos seus textos, daí a nossa questão inicial.

c) S. Teotónio e D. Telo

Aquando da celebração, em 2012-2013, dos 850 anos da morte e da elevação aos altares de D. Teotónio (1162-1163), primeiro prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, publica uma obra singular. Começa por definir o que caracteriza um santo no cristianismo, mas em seguida  inserir o biografado ao contexto do  tempo, mostrando a sua relevância para a formação da comunidade que hoje somos. Para chegar ao “homem” que se fez santo, por “chamamento” de Deus, opera um trabalho de extração de tudo o que lhe foi sendo acrescentado como espúrio. Um método que aplica à biografia de outros santos.

- Vida de S. Teotónio. In Dicionário de Literatura Medieval Galega e Portuguesa. Dir. G. Lanciani e G. Tavani. Lisboa: Caminho, 1993, p. 669-671

- Vida de D. Telo. In Dicionário de Literatura Medieval Galega e Portuguesa. Dir. G. Lanciani e G. Tavani. Lisboa: Caminho, 1993, p. 661-663

d) Martinho de Braga

- Martinho de Braga- Instrução pastoral sobre as superstições rurais (De correctione rusticorum), com com Maria João Violante Branco – Edição crítica, tradução, estudo. Lisboa, Edições Cosmos, 1997

- Martinus Bracarensis, in, La Trasmissione dei testi latini del Mediovo - Mediaeval Latin Texts and their Tranbsmission/Te.Tra.2, a cura di Paolo Chiesa e Lucia Castaldi, Firenze, Sismel, Edizioni dekl Galluzzo, 20095, 440-466.

e) S. Tomás de Cantuária

 

- O culto de S. Tomás de Cantuária em Portugal: um manuscrito de Lorvão como testemunho e outros indícios, in, Vir bonus peritissimus aeque: estudos de homenagem a Arnaldo do Espírito Santo / coord. por Maria Cristina de Castro-Maia de Souza Pimentel, Paulo Farmhouse Alberto, 2013, págs. 517-536

f) Nuno de Santa Maria

Podemos dizer que convive com S. Nuno de Santa Maria desde os onze anos idade, quando entrou para o Seminário de Cernache do Bonjardim. Esta figura central da história de Portugal ter-lhe-á sido contada inúmeras vezes. A sua canonização a 26 de Abril de 2009, foi o pretexto e o momento  para, sob a forma escrita, condensar aquilo que durante anos foi assumindo como essencial nesta figura singular.

- Nuno de Santa Maria: o homem e o santo que é herói de Portugal, Igreja e Missão, 211, Maio-Agosto de 2009, 175-246.

- Cernache do Bonjardim, Terra do Santo Condestável. Assoc. Regina Mundi, 2009.

- Nuno de Santa Maria: fragmentos de memória persistente, Lisboa, ARM, 2010 

- S. Nuno de Santa Maria, exemplo de virtudes para o nosso tempo. Editorial Missões - Cucujães. 2016

- O Santo Conde, D. Nun`Álvares Pereira, in, Nuno Álvares Pereira, Casal de Coimbra, Caleidoscópio, 2017, 15-22.

O que define um Santo? Aires A. Nascimento, como em nenhum outro lugar, vê-se confrontado com a necessidade de responder a esta questão, dado o "perfil" de Nun`Álvares Pereira. Apoiando-se em Charles Péguy, recusa que hajam "santos etéreos", todos fizeram o seu percurso terreno, com as suas vicissitudes. "A santidade cristã é incarnada, como Cristo que assumiu todas as consequências de ser Deus e Homem incarnada" (p.7). A santidade de Nuno de Santa Maria radica nas suas virtudes. Um conceito de origem grega, que pressupõe "fortaleza", "vigor", "poder", que se atinge quando numa escala superlativa se atinge o "bem" e "se possivel o belo", num equilíbrio de "coração e de inteligência" que merece o louvor. O reconhecimento destas virtudes atribui-as ao povo que o fez santo antes da Igreja o reconhecer, mas também a D. Duarte que as explicita.

g) Santa Iria

 

- Lenda de Santa Iria: De virgem a mártir (a dificuldade de retomar os tempos que se atrasam). Estudios de filología e historia en honor del profesor Vitalino Valcárcel / coord. por Iñigo Ruiz Arzalluz; Alejandro Martínez Sobrino (ed. lit.), María Teresa Muñoz García de Iturrospe (ed. lit.), Iñaki Ortigosa Egiraun (ed. lit.), Enara San Juan Manso (ed. lit.), Vitalino Valcárcel Martínez (hom.), Vol. 2, 2014, pags. 751-779

h) Rainha Santa Isabel

- Santa Isabel de Portugal. A menina de Aragão coroada Rainha em terras Portuguesas (2019). Lisboa. Edições Colibri


Este estudo é mais um caso singular da insaciável curiosidade de Aires A. Nascimento. No gabinete do presidente da Academia das Ciências de Lisboa, da qual é membro, reparou numa pintura, cuja identidade da retratada e o significado para esta instituição já se havia perdido na memória. Tornara-se numa simples peça de ornamento, sem nenhum significado aparente. O resultado desta investigação foi publicado, no dia 20 de julho de 2019, no dia em que comemorava 80 anos. Tratava-se de Santa Isabel de Portugal, patrona da Academia das Ciências. Um quadro que terá pertencido à galeria de Fr. José Mayne, e que com a sua biblioteca foi também legado à Academia.

Nesta obra, numa incursão pela história da Arte, começa por identificar a presumível autora – a princesa esta Maria Francisca Benedita, irmã da rainha D. Maria I, fundadora da Academia. Identifica os modelos que a princesa-pintora terá seguido, revelando a existência outra pintura semelhante no Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra. Faz um minuciosa análise iconográfica, questiona-se sobre a intencionalidade  e significado de certos elementos formais.

Prossegue refletindo, uma vez mais, sobre o sentido da santidade cristã, os modelos e esquemas usados na hagiografia. Numa forma explicita, ao caracterizar o entendimento da santidade medieval, afirma-se próximo das virtudes franciscanas, em oposição às virtudes aristotélicas. Ensaia uma hagiografia de Santa Isabel.

O que segue é uma procura da “santa rainha” histórica, os acontecimentos  anotados que marcaram a sua vida em terra lusas, e o “chamamento” que fez dela santa, primeiro aos olhos do povo e depois sancionada pela Igreja.  Chama à atenção do afecto que o rei D. Dinis manifestou à rainha, à qual dedicou duas cantigas, que não tem sido tomadas em consideração pela crítica literária e na que obra são postas em relevo; Mostra a acção diplomática da rainha, quer pela sua presença em actos do rei quer através das cartas que ela dirigiu ou recebeu de seu irmão Jaime II de Aragão ou de personalidades eclesiásticas (Papas), aproveitando assim recentes valorizações de fundos arquivísticos, até agora não tidos em consideração na hagiografia da rainha santa; Lembra a memória da rainha celebrada anualmente na Universidade, em orações / discursos académicos instituídos em Coimbra pelo rei D. João III. Como emblema, e não como registo documentado terá sido criado o episódio das rosas. O autor reconhece a invenção, mas lembra a sua possível intenção: Os franciscanos terão procurado criar uma imagem forte, marcante, das ações de caridade da rainha de uma forma que se não esquece mais (p.161).

 

12.1. Fátima

A UCP e a Reitoria do Santuário de Fátima, em 1999, estabeleceram um acordo para a inventariação, anotação e preparação crítica da documentação referente a Fátima (aparições, mensagens, culto. Aires Augusto do Nascimento foi um dos especialistas convidados. Em 2013 foi publicado o 2ª. volume da Documentação Crítica de Fátima.

12.2. Peregrinações

- Egéria: Viagem do Ocidente à Terra Santa, ed. crítica e revisão de estudo e de tradução de Alexandra Mariano. Lisboa. Ed. Colibri, 1998

- Ir e passar por Santiago: duas faces de um mesmo percurso a Compostela...., 2001

- Viator e Peregrinus: Registos da construção da viagem, in, Homo Viator - Estudos em Homenagem a Fernando Cristovão, Lisboa, Ed. Colibri, 2004, 173-188

12.3. Milagres

- Selectividade e estrutura nas coleções de milagres medievais: Alc. 39 da B.N. de Lisboa e as Cantigas de Santa Maria...., 1991, 587-596.

- Milagres Medievais, artigo no Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa (org. e coord. de G. Lanciani e G. Tavani), Lisboa, Ed. Caminho, 1993.

12.3. Relíquias

- Furta sacra: relíquias bracarenses em Compostela?, in, Gramática e Humanismo...., Braga, Aletheia, Faculdade de Filosofia, 2005, 121-140

 

13. Iconologia

Em dezenas de artigos aborda temas e problemas da iconografia cristã de forma muito ampla, como se pode ler no catálogo A Imagem do Tempo: livros Manuscritos ocidentais (2000). Nos textos introdutórios e nas várias entradas, onde Aires do Nascimentos e outros colaboradores (José Augusto Martins ramos, Máximo Ferreira, Horácio Peixeiro, Joaquim O. Bragança, Adelaide Miranda, Maria do Rosário Themudo Barata, Martim de Albuquerque, António Couto e Anselmo Borges), não apenas nos dão a conhecer representações do tempo e fontes textuais que a elas se reportam, mas também refletem  sobre o próprio conceito do tempo, as suas dimensões, e como as imagens são expressões de pensamento sobre o próprio tempo.

A ler de Aires A. Nascimento:

- Gesto Litúrgico: o Complemento da Linguagem do Sagrado. (2005) - In: O corpo e o gesto na civilizaçao medieval p. 111-138

-O riso do homem medieval. (2015) - In: O riso. Teorizações, leituras, realizações p. 13-44

- O riso como tema, em Évora: ousar manter uma janela aberta, em tempo de crise. (2015) - In: O riso. Teorizações, leituras, realizações p. 7-11

- Um sorriso nas asas da memória: o pórtico da Glória, evocação de Serafim Moralejo, já na outra margem, Compostelanum, 58, 2013, 69-79.

- A festa: entre a exuberância e celebração, in, Histórias das Festas, ed. Carlos Guardado da Silva, Lisboa, Colibri, 2006, 9-22.

- La Fiesta medieval, trad. esp. Cristina Flórez, Lienzo 9 (Lima), 1990, 67-80
 

14. Formação de Portugal

A sua incursão pelo domínio da história, segue um padrão: a partir de fontes documentais, descreve e reflete sobre os mitos, lendas e legendas a que se reportam acontecimentos, personagens, para depois confrontar ou elucidar certos aspectos da versão interpretativa corrente.

Ao  século XII, o “início” de Portugal, tem dedicado muito do seu labor intelectual. Personagens  centrais deste período, como D. Afonso Henriques, D. Telo ou S. Teotónio, fundações de Mosteiros como o de Santa Cruz de Coimbra, Santa Maria de Alcobaça, S. Vicente de Fora, ordens religiosas como a de Cister, mas também reconquistas como a de Santarém, Lisboa, Alcácer do Sal, para só citar estes exemplos, têm sido estudas e permanente revisitas.

Num texto, onde uma vez mais reflete sobre “as origens da vida colectiva portuguesa”  e as suas figuras emblemáticas  às mesmas ligadas, projeta desde logo ao que vem na sua abordagem da história de Portugal:

“Por vontade dos homens (e por razões que se foram acrescentando, nas quais muitos quiseram divisar predestinação divina e alguns não duvidaram em colocar fé que resgata e premeia os esforços) constituiu-se uma nação (povo soberano, disposto a lutar por si e a entrar assim em ação concertada com outros povos). Fica ela na zona mais ocidental da Europa: esta é continente incompleto, mas também inconformado; é parte de um outro (Euro-ásia) que se estende até ao outro lado do mundo e arrisca permanentemente a aventura de se alargar sobre o mar, malgrado a obscuração de um futuro incerto- Europa é, nas origens gregas da palavra, a terra que na escuridão procura a luminosidade que ainda resta dos deuses, que se ausentaram, para descortinar uma nova luz (saída do seu interior, por indagação racional e inteligente que aproveita as próprias capacidades). Voltada a Ocidente, é Portugal, que tem no mar a possibilidade de encontrar novas terras e de formar o complemento, em construção de utopia  - terra a haver, na ponta mais ocidental tem a cabeça, envolta em cabeleira de esfinge, e os olhos fitam o mar, na visão de F. Pessoa (“O dos Castelos”, Mensagem),  in, Vida de São Teotonio, p. 7-8. 

Latinista, não deixou de estudar a formação da língua portuguesa (5) e a emergência de um pensamento filosófico (6) após a independência.

A ler de Aires A. Nascimento:

- O Milagre de Ourique num texto latino-medieval de 1416, Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, IV série, nº.2 (1978), pp.365-374

 

- A conquista de Lisboa aos Mouros : relato de um Cruzado, com Maria João Violante Branco. Lisboa: Vega, 2001

 

- Poema de conquista: a tomada de Alcácer do Sal aos mouros (1217).Poesía latina medieval (siglos V-XV): actas del IV Congreso del "Internationales Mittellateinerkomitee", Santiago de Compostela, 12-15 de septiembre de 2002 / coord. por José Manuel Díaz de Bustamante; Manuel Cecilio Díaz y Díaz(ed. lit.), 2005, págs. 619-637

 

- O júbilo da vitória: celabração da tomada de Santarém aos mouros (A.D. 1147). Actes del X Congrés Internacional de l'Associació Hispànica de Literatura Medieval: Alicante, 16-20 de septiembre de 2003 / Josep Lluís Martos Sánchez (ed. lit.), Josep Miquel Manzanaro i Blasco (ed. lit.), Rafael Alemany Ferrer (ed. lit.),Vol. 3, 2005, ISBN 84-608-0305-8, págs. 1217-1232

 

- "Afonso Henriques: memórias e representações, por entre heroicização e escárnios", Letrascom vida - Literatura, Cultura e arte, 5, 2012, 1-30.

 

- A construção da imagem de D. Afonso Henriques: processo e memória, ...., 2012, 29-46.

 

15. Descobrimentos

É na abordagem dos descobrimentos portugueses que melhor se percebe a forma como Aires dos Nascimento trabalha a história. A partir dos textos que existem nas nossas bibliotecas medievais, desvenda as viagens interiores ou não, que povoaram o pensamento do homens. As viagens históricas são desta forma enformadas a partir de uma dimensão transcendente. Perspectiva platónica ?

A ler de Aires A. Nascimento:

- Trezenzónio e a Ilha do Solstício: a funcionalidade da ausência no reencontro do presente, in, Em Torno da Idade Média, ed. Helder Godinho, Lisboa, 1989,185-196.

- Ilhas Afortunadas: um nome feito de sonhos, in, As Ilhas e a Mitologia - Actas de Colóquio, Funchal, Câmara Municipal, 1998, 19-31.

- Quando a terra acaba e o mar começa ...., o céu por limite e por destino, ..., 2007, 61.-89.

a) Navegações de S. Brandão

A “Introdução” à Navegação de S. Brandão é constitui a “introdução” ao que tem escrito sobre os descobrimentos. A abertura aos novos espaços, mitos, personagens, cartografia, descobertas, tudo é nela passado em revista, apoiado num extensa bibliografia. A razão é simples:

“A aventura de Brandão acompanha assim os sonhos de homens do tempo das descobertas marítimas dos tempos modernos, em nome de uma curiosidade que se funde com o gosto pelo maravilhoso e na qual uma certa relação religiosa, de confiança na Providência divina, tem a parte necessária e útil para superar os medos do desconhecido e arrostar os perigos inevitáveis do mar largo. Transposta para diversos pontos do Atlântico Norte, serve de referencia a fantasias mais ou menos romanescas, alimenta sonhos e estimula investimentos ou permite transposições interessadas. Nem lhe faltou a contestação de algum espírito mais céptico para avivar a curiosidade geral e o interesse de eruditos. Mas atravessa os tempos e é recuperada pelo mito sebastianista.” Pp.63-64

- Navegação de S. Brandão nas fontes portuguesas medievais. Lisboa. 1998 

- “A Navigatio Brendani: da Hibérnia para a Ibéria, ou alguns elos de uma antiga comunidade ocidental”, Anglo-saxónica, ser. 2, 10-11, 1999, 63-79

- Navigatio S. Brendani, de Benedeit: originais e traduções, em situação de leitura e recepção», Actas de VII Congresso de la AHLM - Catellón de la Plana, Setiembre 1997, ed. Santiago Fortuño Llorens & Tomás Martínez Romerto, Castellò de la Plana, 1999, III vol.

- O apelo do Ocidente: Martinho de Braga, a "Navigatio Brendani" e outros textos - o sonho da descoberta e a superaçao dos limites. (2002) - In: Homenaje Antonio Fontán (2002) Pt. 3 p. 1463-1484

- Traços esquecidos de tradição hispânica: comparando versoes da "Navigatio Brendani" . (2011) - In: Quando Portugal era Reino de Leão p. 127-142

- Anamorfoses de um texto: identidade e diferença nas versões (hispânica e vulgata) da Navigatio Brendani. (2003) - In: Da decifração em textos medievais 4 p. 93-110

- Nos limites do humano: a figura de Judas, em releitura da Navegação de S. Brandão,

b) Literatura

- Livro de Arautos : estudo codicológico, histórico, literário, linguístico. Cópia pública

-  Estratégia diplomática e arte da descrição geográfica numa obra latino-portuguesa do século XV: O Livro de Arautos (a 1416), in Estudos em Memória do Professor Doutor Mário de Albuquerque, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Instituto Histórico Infante Dom Henrique, 2009

- Littérature latine des Découvertes Portugaises: le latin, une langue de culture, Euphrosyne, 27 (1999), pp. 381-404

c) Infante D. Henrique, Viagens

- Horologium fidei : diálogo com o infante D. Henriquede André do Prado. Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994

- Descobrimento primeiro da Guiné de Diogo Gomes de Sintra

- Princesas de Portugal : contratos matrimoniais dos séculos XV e XVI , com

- Leonor de Portugal, Imperatriz da Alemanha : diário de viagem do embaixador Nicolau Lanckmen de Valckenstein, com

d) Utopias

Uma dos textos seus filosóficos que melhor ilustra a perspectiva como encara não apenas os descobrimentos, mas também as peregrinações e o que nos eleva na nossa existência, está sintetizado num texto onde transparece uma clara perspetiva platónica, não nomeada – “A utopia como dimensão humana”. Nesta vida, somos convocados a construir uma “Utopia” , um “não lugar”, isto é, a projetarmo-nos para além da mundanidade, impelidos pelo desejo, a esperança num mundo melhor.

- Utopia de THomás Morus, Edição crítica publicada em 2006 pela Fundação Calouste Gulbenkian, tendo recebido o Prémio União Latina de Tradução Científica e Técnica.

- A procura do Além: espaços de Utopia e caminhos de abertura ao Mundo em textos de Alcobaça, in, Actas do Congresso de 900 anos de Cister, Alcobaça, Abril, 1998, Lisboa, IPPAR, 2000, 175-188.

- Habitar a Utopia, in, Razão e Liberdade ...., 2010, vol.I, 419-431

16. Expansão do Cristianismo, Padroado

Aires Augusto Nascimento na sua tese de doutoramento sobre o Livro dos Arautos (1978), sustenta que uma das razões que levaram os portugueses à conquista de Ceuta em 1415, foi sobretudo uma questão político-religiosa. A dinastia de Avis pretendia afirmar na Europa, com esta conquista, o seu poder e independência face a Castela e Aragão no Concílio de Constança (1414-1418). A participação portuguesa só se iniciou a 1 de Julho de 1416, e sem a presença de nenhum clérigo, e depois da referida conquista.

Os seus estudos sobre a expansão do cristianismo feito pelos portugueses no mundo, está desta forma ligado à própria génese dos descobrimentos, mas também intrinsecamente a aquilo que Portugal foi a partir do século XV.

- Francisco Xavier: A face Catequética da Missionação Portuguesa, in, Igreja e Missão, 201-202, 2006, 61-87.

- Innocentia Victrix: siue Sententia Comitiorum Imperii Sinici pro Innocentia; Vitória da Inocência ou Sentença das Assembleias do Império Chinês em prol da Inocência da Religião Cristã. Introdução Horácio P. Araújo.Fixação do texto e tradução do latim Aires A. Nascimento. BN Lisboa. 1999

- A Diocese do Funchal, em estratégia manuelina, em 1514: o simbolismo de um local...

17. Perspectiva Interpretativa de uma Obra em Curso

A produção científica de Aires A. Nascimento é melhor compreendida na sua globalidade. As suas grandes obras foram sendo escritas ao longo dos anos capitulo a capítulo sob a forma de livros, artigos, recensões ou notas de rodapé.

Trata-se de um método ou de um recurso provocado pelas multiplas solicitações ou reptos que lhe foram lançados?

Aires A. Nascimento, quatro anos após de ter jubiliado (2008), publica uma recolha de textos, que considerou significativos de 40 anos de estudos nos mais diversos domínios. Se nos ativermos ao título que lhe deu, começa por enunciar um dos seus grandes objectivos da sua vida, como leitor, filólogo, tradutor e historiador da cultura portuguesa, o de retirar do esquecimento, tornar presente aquilo que estava perdido no tempo. Ler é desta maneira "Ler contra o Tempo". O que surpreende é todavia que o subtítulo - recolha em "Hora de Vésperas", anunciando um "entardecer", "despedida", finalmente o "silêncio". Na verdade, nada disto aconteceu. Nos últimos 7 anos Aires do Nascimento tem publicado um impressionante conjunto de estudos, que desdizem o prometido "silêncio". A explicação dá-nos quando escreve:

"É dever filológico contribuir cada qual para assegurar a verdade cultural dos testemunhos e dos textos, particularmente daqueles que partilhamos com a comunidade científica a que pertencemos" (p.18,19). O imperativo para continuar a ler e escrever é de ordem deontológica. Um dever reforçado pelo caminho que se escolheu: "o esforço de ler e escrever faz parte do nosso percurso intelectual e do modo de testemunharmos o que nos legitima como gente de Universidade (ou de outros grémios - Academias)" (p.16). Ler e escrever é desta forma um "dever", um "serviço prestado à comunidade", mas também "para deixarmos testemunho a alguém que nos pergunte pelo que fizemos" (p.15).

"Congresso Aires do Nascimento"

“Foram muitas e ponderadas razões que levaram um grupo de discípulos, colegas e amigos do Professor Aires Nascimento a organizar este congresso em sua homenagem”, com estas palavras o professor Arnaldo Espírito Santo abriu o “congresso” que decorreu entre 17 e 20 de Julho de 2019, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde foram apresentadas 71 comunicações, por 84 conferencistas. Muitos dos conferencistas são docentes nas universidades do Algarve, Coimbra, Évora, Lisboa ou Porto, mas um grande número vieram prestigiadas universidades europeias: Thomas Earle (Londres), Joel Thomas (Perpignan), Paulo Fedeli (Bari), Cármen Codoñer Merino (Salamanca), José Manuel Diáz de Bustamente (Santiago), Josefina Planas (  Lleida), Ana Maria Sánchez Tarri (Espanha), Ana Suárez Gonzáles (Santiago), Marc Mayer-Olivé (Barcelona), Giulia Baratta  (Macerata), José Martínez Gázquez (Barcelona), Israel Sanmartín (Santiago), Andrea Bozzi (Roma), Maria de los Milagros Conesaña Santos (Espanha), Pedro Juan Quetglas (Barcelona), María Antónia Fornés Pallicer (Barcelona), Lídia Buono (Cassino), María Adelaida Andrés Sanz (Salamanca). A geografia dos palestrantes é reveladora da importância dos seus estudos, nomeadamente para a compreensão da Idade Média na Península Ibérica. Continuação

 

Carlos Fontes

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Aires Augusto Nascimento

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Notas: 

(1) A propósito da Edição de um Códice Alcobacense, Euphrosyne, Vol.IX, 1978/79.

(2) Um Novo Catálogo do Fundo de Alcobaça: Das Boas Intenções ao Malogro de um Projecto, Euphrosyne, Vol. XVIII, 1990.

(3) A criação do Instituto Português dos Arquivos (IPA), em 1988, marcou um importante salto qualitativo na política arquivista . Ao IPA competia superintender tecnica e normativamente nos arquivos do país. Uma dependência que que os diretores da Torre do Tombo se recusavam a admitir. Na curta passagem de Aires dos Nascimento pelo IPA, os problemas com a Torre do Tombo, presidida por Jorge Borges de Macedo, multiplicaram-se. Este organismo passou a ser independente, por exemplo, nas relações internacionais, esvaziando uma funções atribuídas ao IPA. Aires Nascimento acabou por pedir a demissão do cargo.

A falta de coerência e errância política da Secretaria de Estado da Cultura, presidida por Pedro Santana Lopes, provocando o afastamento de figuras de enorme prestígio e competência como era o caso. O afastamento de Aires Nascimento, entre outros, foi especialmente referido na Declaração Política sobre Política Cultural, reunião plenária de 12/03/1992, publicada no Diário da Assembleia da República, Iª. Série, nº39, de 13/03/1992.

(4) O artigo de Maria Adelaide Miranda é uma sintese da sua Tese de Mestrado em História de Arte, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que foi arguente Carlos Alberto Ferreira de Almeida. A tese de doutoramento da autora, também centrada na iluminura dos códices de Alcobaça Aires Augusto do Nascimento foi o arguente.

(5) A ler de Aires Nascimento: “Alguns vocábulos portugueses num manuscrito latino do séc. XV”, Portugaliae Historica, 1, 1973, 273-281; “Novos fragmentos de textos portugueses medievais descobertos na Torre do Tombo: horizontes de uma cultura integrada”, Península. Revista de Estudos Ibéricos, 2, 20095, 7-24; etc.

(6) Ler de Aires Nascimento: Pedro Hispano –Figura maior da cultura portuguesa aberta ao mundo, Figueira da Foz, Casino, 2010 (32pp.); “Santo António: Pensamento e Testemunho”, in Actas do Congresso Internacional Pensamento e Testemunho – 8ª. Centenário do nascimento de Santo António, Braga, 1996, vol.I, pp.7-12.

(7) Catarina Fernandes Barreira fez uma importante recensão de este estudo (Medievalista, 2017). 

(8) Na “Descrição Codicológica” ao “Liber testamentorum Coenobii Laurbanensis”, em 2008, fizera uma notável síntese sobre a documentação proveniente Mosteiro do Lorvão, deixando-nos, como é seu hábito, um conjunto de questões que uma leitura atenta dos documentos nos colocam. 

 

 

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Carlos Fontes

Responsável e autor da rede Filorbis 

 

 

Interesses:

Filosofia, Comunicação, Cultura, Educação e Formação Profissional.

Formação Académica

Licenciado em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa.

Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação no ISCTE (Lisboa).

Currículo Profissional

 

Professor do Ensino Secundário em Portugal. 

Foi dirigente no Instituto de Emprego e Formação profissional (IEFP) e no Ministério da Cultura.

Dirigiu e editou diversas publicações.

 

     
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