Ódio

 
   
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Neste site, com excepção deste texto, nenhum outro foi alterado depois de 2020, ano da pandemia. Foi o primeiro site sobre imigração e emigração em Portugal. Tem relatos de exploração de imigrantes e emigrantes, aborda o drama dos refugiados e muitas outras questões, mas estão ausente textos sobre  manifestações de ódio contra minorias (migrantes, refugiados, ciganos) que depois de 2020 passaram a abaundar em Portugal. O que aconteceu para que as manifestações racistas e xenófobos se instalassem em tão pouco tempo na sociedade?. A resposta imediata é que um partido politico - CHEGA, criado em 2019 - teve a capacidade de promover ódio na sociedade e de agregar à sua volta todos aqueles que eram propensos a estes sentimentos de aversão a minorias. A questão fundamental, neste sentido, é saber as razões que levaram, por exemplo, 1.442.194 portugueses, a deram o seu voto nas últimas legistativas (2025) a um partido racista e xenófobo? O que os motivou a aderir aos seus discursos de ódio?

As explicações tem sido muitas, desde terem perdido a vergonha de afirmarem as suas convicções racistas à imbecilidade, tudo tem sido apontado. A cronologia da propagação desta onda, pode ajudar-nos a compreender melhor o contexto. Desde 2016, como é sabido, face à escassez de mão-de-obra, Portugal passou a receber regularmente grande número de imigrantes. Em 2017, a população estrangeira residente fixava-se nos 421.802 pessoas, subindo para 1.543.697 em 2024, o que representou um aumento de 37% ao ano. Estas pessoas eram e são necessárias?. Com excepção dos apoiantes do CHEGA ninguém dúvida

Legalização. Ninguém dúvida também que o Estado não se organizou para acolher este aumento do número de migrantes. Os serviços públicos responsáveis pelo acolhimento, funcionavam de forma precária. O aumento exponencial do do número de imigrantes, mostrou as insuficiências do sistema que havia sido criado. Os processos para a autorização de residência acumularem-se e entraram num caos. Não tardou a disseminar-se os processos de corrupção para facilitar a obtenção destas autorizações. A culpa do problema era dos imigrantes ou dos responsáveis políticos?

Nacionalidade. O problema como é sabido foi agravado com a questão da concesão da "nacionalidade". Portugal e Espanha, em 2015, aprovaram uma lei que atribuia quase automaticamente a nacionalidade a que comprovasse ser descendente de judeus expulsos na Peninsula Ibérica nos séculos XVI a XVIII. Tudo em nome de uma reparação histórica. Esta concessão rapidamente tornou-se num verdadeiro negócio para os representantes da comunidade judaica em Portugal, consultórios de advogados, etc. A concessão podia ser obtida por pessoas sem nenhuma ligação ao país ou desconhecendo inclusive a a língua. Os laços de pertença que sustentam a nacionalidade, desaparecem, contribuindo para a desagregação social pela sua banalização.

Era óbvio que largas dezenas milhares de israelitas e alegados judeus em outras partes do nundo, sem nenhuma ligação ao país, adquiriram a nacionalidade, portuguesa, com o único objectivo de poderam deslocarem-se mais facilmente na UE.

Uma nova lei aprovada em 2020 facilitou também a atribuição da nacionalidade a quem tivesse avós portugueses, mesmo que não residisse no país. O objectivo era tratar de modo idêntico os descendentes mais directos de portugueses. Um expediente a que recorreram milhares pessoas, sobretudo dos paises lusofónos, com destaque para os brasileiros. A concessão da nacionalidade portuguesa, como é óbvio, permitia a sua livre circulação pela UE.

O elevado número de pedidos de nacionalidade agravou a situação nos serviços de imigração. Em 2025 já haviam entrado nos serviços públicos mais de 1,5 milhões de pedidos de nacionalidade portuguesa.

Pergunta-se,m uma vez mais, a quem deve ser atribuida a responsablidade desta situação?

O discurso de Ódio contra os imigrantes está deste modo deslocado dos problemas que envolveram a imigração, e constitui apenas no essencial um manifestação de ódio contra minorias.

Militantes do Ódio

Portugal em poucos anos, como vimos, tornou-se num país onde bandos de racistas e xenófobos, sob o pretexto de "Salvar Portugal, insultam, agridem e matam  imigrantes. Cenas de ódio inclusive contra crianças acabadas de chegar ao país.

As manifestações de ódio acabaram por banalizarem-se. Passaram praticadas em locais e onde menos se poderia esperar: Funcionários dos serviços de imigração agridem e matam imigrantes; Polícias (PSP, GNR) agridem, violam e humilham imigrantes em esquadras, partilhando videos da barbárie cometida; Em escolas públicas, professores insultam crianças imigrantes. Deputados e autarcas do CHEGA, instigam a população a expulsar e maltratar os imigrantes.

Dir-se-á que em pouco tempo, cerca de 10% da população perdeu o mínimo de respeito que qualquer ser humano merece. A barbárie instalou-se, assim como a propensão para a violência. As crianças e os jovens estão a ser influenciadas pelos adultos a encararem tudo o que é diferente como uma ameaça.

O rastreio destes imbecis, demonstra aquilo que a história nos ensinou: uma vez instalado o ódio numa sociedade, o mesmo tende a perpetuar-se, servindo como pretexto individual para a justificar fracassos, ressentimentos, inveja ou afirmações de poder sobre os mais fracos, frágeis (bodes espiatório). Nenhum amante da liberdade e humanista, pode ficar indiferente perante estes bandos de racistas e xenóbos.

Carlos Fontes,26.06:06

 

 
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