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Freguesia - Universidades: a ausência de 

 

diálogo

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Não existe em Portugal uma freguesia que tenha mais universidades e escolas superiores, como a Freguesia do Campo Grande, no entanto, nas publicações da Junta esta realidade está estranhamente ausente. Apenas se evoca as antigas feiras de gado, as hortas, os retiros e, por razões várias, o "Bairro das Caixas" construído pelo Estado Novo. As raras referências que são feitas a estes estabelecimentos de ensino são em tom de lamento pela sua existência. 

O último prospecto turístico editado pela Junta (2000) chega ao ponto de afirmar que a única utilidade da Universidade é contribuir para a manutenção do restaurante típico "Quebra Bilhas" (?!).Curiosamente, consultando as numerosas publicações dos estabelecimentos de ensino aqui sediados, nos últimos vinte anos, apenas identificamos uma única publicação que explicitamente se refere ao Campo Grande. Trata-se de uma  revista de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, datada dos anos oitenta, justamente intitulada "Campo Grande". Folheando-a não encontramos uma única menção ao local em termos físicos ou históricos. Todos se procuram ignorar.

Está também a desaparecer a vivência do local por parte de muitos milhares de alunos e professores que aqui estudam ou trabalham.

O Campo Grande está a tornar-se num mero sítio de passagem. Não existe hoje em todo o bairro um único local que seja de frequência habitual de estudantes, muito menos de professores.

A partir de 1959 era fácil identificar muitos deles, como a esplanada das piscinas do Campo Grande,  a esplanada do lago (Campo Grande ), a esplanada do ringue de patinagem (Campo Grande), o Café Gôndola (Campo Grande), o Caleidoscópio (Campo Grande ), o Café Borges (Azinhaga de Malpique, actual Rua João Soares), o Itau ( Rua de Entrecampos), etc.  Das várias livrarias que existiam no bairro, apenas subsiste a "Lácio", muito decadente.

É certo que abriram duas novas, mas estão longe de constituírem um ponto de encontro para estudantes ou professores. As muitas "residências " ou "quartos" particulares para estudantes estão igualmente a desaparecer.

Perante a ausência de ofertas locais atractivas, estes estabelecimentos de ensino criaram no seu interior cafés, esplanadas, salas de estudo, livrarias onde decorre cada vez mais a vida dos professores e estudantes. Após o seu encerramento todos partem para outros locais mais aprazíveis sem que entretanto estabeleçam qualquer relação com o bairro. O Campo Grande torna-se num sítio sem história.

A CML muito tem contribuído para esta situação ao abandonar os equipamentos que possui no Campo Grande. A Junta é melhor nem falar, ainda vive no tempo das hortas e retiros.

 Carlos Fontes (2003)