Jornal da Praceta


Informação sobre a freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito )

Cidade Universitária

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2017: Abandono Consumado

 

As carrinhas do Horto do Campo Grande passaram também a estacionar sobre a pista da ciclovia e o que resta da zona ajardinada.

De nada serve uma placa colocada pela CML/JF de Alvalade alertando os automobilistas que é proibido estacionar no local. Foto: Janeiro de 2017

 

2016: A Alameda da Universidade, de novo ao abandono?

 

 

Passeios, ciclovias, revelados tudo é inundado por automóveis perante a total indiferença da divisão de transito da PSP ou da Policia Municipal de Lisboa inúmeras vezes alertada para a situação. Foto: 28/11/2016

 

A entrada do Horto pela Alameda da Universidade foi transformada num parque de estacionamento.

Os clientes do Horto estacionam as viaturas na relva, ciclovia, passeio. Arvores, postes de iluminação, pilaretes, tudo tem sido derrubado. Alguns dos candeeiros já estão às escuras...

 

Dia 6 de Junho de 2016, 17h45. O Eng. Joaquim Silveira, diretor geral do Horto do Grande manifestou ao Jornal da Praceta a sua indignação pela a destruição que está sofrer toda a zona junto ao horto. A causa imediata é o estacionamento ilegal. Os infractores, como testemunhou, são na sua maioria clientes do próprio Horto, mas também todos aqueles que aqui estacionam em dias de futebol. A responsabilidade pela continuidade desta situação deve ser atribuída à ineficácia da atuação da PSP, Polícia Municipal, Câmara Municipal de Lisboa, Junta de Freguesia de Alvalade, mas também ao abandono do local pela Universidade de Lisboa....

 

Dia 15 de Janeiro de 2016. O SCP jogava em Alvalade com o Tondela. A PSP, em colaboração com a EMEL montou com um apenas guarda uma ação de vigilância ao estacionamento selvagem no jardim do Campo Grande, mesmo em frente do Museu da Cidade (Palácio Pimenta). No jogo anterior, o parque da EMEL tinha ficado praticamente vazio, mas o relvado que o envolve e a ciclovia que o atravessa fora completamente danificado pelo estacionamento selvagem.

 

 

Dia 15 de Janeiro de 2016. O SCP jogava em Alvalade com o Tondela. A PSP, em colaboração com a EMEL montou com um apenas guarda uma ação de vigilância ao estacionamento selvagem no jardim do Campo Grande, mesmo em frente do Museu da Cidade (Palácio Pimenta). No jogo anterior, o parque da EMEL tinha ficado praticamente vazio, mas o relvado que o envolve e a ciclovia que o atravessa fora completamente danificado pelo estacionamento selvagem.

 

Acontece que nenhuma medida tinha sido montada para impedir o estacionamento no relvado e na ciclovia da Alameda da Universidade. A destruição que ocorre nesta zona deixou de preocupar a PSP, Policia Municipal de Lisboa, CML e a própria reitoria da Universidade de Lisboa. Em breve nada restará das obras realizadas em 2011-213.

 

Um grupo de "arrumadores", depois de derrubar os pilaretes e afastar pedras do local discute como vão dispor os automóveis na relva, ciclovia e passeio. Foto: 15/01/2016

Duas horas antes do jogo o espaço começa a ser preenchido com automóveis. As pessoas que ainda se aventuram pelos passeios, encontram pela frente viaturas em circulação. Foto: 15/01/2016

A confusão de automóveis não tarda a instalar-se. Os "arrumadores" ocupam com viaturas todo o espaço disponível, não importa o seja destruído. Foto: 15/01/2016 

 

2013: Recomeça a Destruição

Jogo em Alvalade = Destruição Anunciada no Campo Grande

 

Depois de quase três anos de obras (2011-2013) e vários milhões gastos na recuperação do Campus da UL, e em particular da Alameda da Universidade, recomeçou logo em 2013 a sua destruição, perante a indiferença da PSP, Policia Municipal de Lisboa, CML e da própria reitoria da UL.

 

Os jogos de futebol e os concertos no Estádio do Sporting de Portugal provocaram sempre, desde os anos oitenta do século XX, verdadeiras ondas de vandalismo em toda a zona do Campo Grande e Lumiar. Estações do Metro e outras paragens de transportes públicos são frequentemente alvo de atos de destruição. O estacionamento selvagem em jardins - perante a passividade da PSP e da Policia Municipal de Lisboa -, é os dos atos que mais contribui para o vandalização dos espaços públicos.

 

Em 2013, recomeçou o estacionamento selvagem na lateral norte da Alameda da Universidade. Era o princípio da destruição do que havia sido recuperado dois anos antes.  A partir de então sempre que à jogo no Estádio de Alvalade hordas de automobilistas invadem os arredores do Estádio, estacionando em tudo o que é sítio provocando uma verdadeira onda de destruição.

 

A PSP e a Policia Municipal de Lisboa é alertada, mas mostram-se indiferentes a esta destruição dos espaços públicos. 

 

Estaciona-se na relva, na ciclovia, no passeios, onde calha (2013)

 

Em dia de futebol no Estádio do Sporting é esta a imagem da zona norte da Alameda da Universidade. No local não se vê um único agente da policia. Dentro em breve nada restará das obras de requalificação que aqui foram realizadas. (Foto: 2013)

No dia 31/8/2013, por exemplo, nada escapou no jardim, sistema de rega, passeio, bancos e ciclovia que foi criado na zona norte da Alameda da Universidade de Lisboa, junto ao Horto do Campo Grande. A Polícia Municipal de Lisboa, segundo vários leitores, foi informada do que estava a acontecer, mas como é hábito nada fez.

Um grupo de moradores do Campo Grande, voltou a manifestar a sua indignação no dia 22/9/2013, aquando de um novo jogo no estádio de Alvalade. A mesma zona na Alameda da Universidade voltou a ser varrida por uma onda de destruição, provocada pelo estacionamento selvagem, perante a inacção da PSP e da Polícia Municipal.

A verdade é esta: sempre que há jogo no Estádio de Alvalade é "normal" que o Campo Grande, as Telheiras e o Lumiar se transformem num pandemónio. Os carros invadem e destroem tudo. 

Se os jogos se proporcionam, é também "normal" a ocorrência de desacatos: pancadaria entre adeptos, destruição de equipamentos colectivos como estações de metro, o apedrejamento de autocarros, etc, etc.

No final do  ano os prejuízos acumulados são sempre elevados. Quem a paga são sempre os mesmos: os moradores e os contribuintes. 

2011-2013: Recuperação

Apenas em 2011 a CML e a Universidade de Lisboa (UL) resolvem iniciar a sua recuperação da Alameda da Universidade. O reitor da UL- Sampaio da Nóvoa (2006- 2013) e o novo presidente da CML- António Costa ( 2007-2015) prometem mudar a situação calamitosa em que se encontrava o campus da UL.

A UL, a grande proprietária local, entrega na altura a exploração do estacionamento até então gratuito à EML (empresa municipal responsável pelo estacionamento na cidade).

Agora (?) (Até quando ?)

 

 

Antes

O estacionamento (caótico) na Alameda da Universidade estava confiado a toxicodependentes. Eram frequentes os assaltos na zona. Os carros amontoavam-se por todo o lado. No meio deste caos, acontecia de tudo um pouco: assaltos dos transeuntes, exibições de orgãos genitais por tarados sexuais, acampamentos de ciganos romenos, etc.

 

Agora (?) Até quando ?

 1995-2011: Abandono e destruição

A Alameda da Universidade, como todo o Campo Grande depois de 1995 é complemente abandonado. João Soares (1995-2002), que substituiu Jorge Sampaio à frente da CML, tinha um único objectivo: acabar com os bairros de barracas em Lisboa. Os restantes problemas da cidade foram entregues a figuras sinistras, vereadores como Machado Rodrigues ou Rui Godinho.

Como se tudo isto não bastasse, Barata Moura, é eleito reitor da Universidade em 1998, cargo que exerce até 2006. Nunca o mesmo manifestou publicamente qualquer preocupação com a crescente degradação do campus universitário. Não lhe passava pela cabeça também, como membro do Partido Comunista, pressionar a PSP ou a Polícia Municipal para combater o estacionamento selvagem na zona.

Santana Lopes (PSD, 2002-2005) e Carmona Rodrigues (PSD,2005-2007), enquanto presidentes da CML, identificavam a UL como um antro de comunistas, tendo bloqueado qualquer entendimento com a câmara. O presidente junta de Freguesia do Campo Grande - Valdemar Salgado (PSD, 2002-2013) - encarou sempre a UL como um problema, procurando ignorar a sua presença na freguesia...

A verdade é que a Cidade Universitária rapidamente passou a ser uma das zonas mais perigosas de Lisboa, os assaltos eram frequentes, a prostituição e o tráfico de droga instalaram-se.

Aspecto da Alameda da Universidade de Lisboa. Foto: Outubro de 2003

A Alameda passou a ser usada para as mais diversas manifestações que, sem qualquer controlo, deixam no local rastos de destruição, como ocorreu em várias festas de estudantes, ou nas comemorações do 1º. de Maio de 2004, que Santana Lopes havia proibido a sua realização na Alameda D. Afonso Henriques.

"Caos na Cidade Universitária"

(Durante mais de uma década o Jornal da Praceta procurou por todos os meios que a CML e a UL procedessem ao arranjo da Alameda da Universidade e disciplinassem o estacionamento. Uma batalha ainda não totalmente ganha. Nos dias em que se disputa um jogo no Estádio de Alvalade, a zona norte da Alameda da Universidade é inundada de automóveis que já estragaram uma boa parte do que foi arranjado. A impunidade continua.)

 

"O panorama que se oferece a quem atravessa esta zona, durante a semana, é simplesmente assustador.

 

Milhares e milhares de automóveis de professores, estudantes e funcionários invadem e acabam por destruir tudo o que encontram pela frente. Arvores e arbustos são arrancadas, barreiras são impunemente derrubadas. Edifícios como os da Reitoria, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, ou o do Arquivos Nacionais -Torre do Tombo ostentam marcadas bem visíveis deste vandalismo perpetrado com automóveis.

 

Estaciona-se por todo o lado, nos jardins, passeios, passadeiras para peões, faixas de rodagem, nos pátios, escadarias e até nos corredores de edifícios, entre escombros e entulho de obras, etc. Estamos perante um cenário mais próprio de um subúrbio degradado do que de um "campus" universitário. Tudo parece estar a ser feito para piorar a situação:

 

1.A abertura e o alargamento de grandes vias de acesso a esta zona, mais não fizeram do que contribuir para aumentar o tráfego que por aqui circula. Onde era esperado que houvesse um ambiente de concentração propiciador de reflexão, existe a mais completa confusão e um barulho constante, agravado pela passagem ininterrupta de aviões...

2. A criação de novos parques de estacionamentos, neste contexto, mais não fez do que estimular que as cerca de 80 mil pessoas que aqui trabalham, nos vários estabelecimentos de ensino e de pesquisa, trouxessem os seus carros. Facto agravado pelo brutal aumento do parque automóvel do país (cerca de 7.500.000 em 2001! ). Resultado: a única solução possível que se começa a congeminar é a destruir todos os vestígios de espaços verdes e transformar tudo num imenso parque de estacionamento.

3. A entrega da regulação do estacionamento a marginais e toxicodependentes, acabou por contribuir, com a sua cota parte, para a desordem. O alheamento da polícia desta tarefa de regulação, mais não fez do que proporcionar a expansão destas práticas.

Estamos perante um caso que merece uma reflexão mais atenta, sobre o país em que vivemos. No mínimo é suposto que nestes estabelecimentos, trabalhe uma boa parte da nossa elite cultural. Não está em causa as suas competências científicas, mas o modo como quotidianamente se relacionam com o espaço envolvente, dado que parecem imunes à sua degradação. Numa interpretação imediata estamos provavelmente perante um fenómeno extremo de separação entre o plano teórico e o plano prático. A retórica académica não tem qualquer  tradução no plano das acções quotidianas. Numa interpretação cínica ( escola filosófica) diremos que são pessoas de tal forma ricas interiormente que desvalorizam a realidade exterior.

 

A posição da CML perante o principal "campus universitário" da cidade é mais difícil de perceber. Em primeiro lugar somos levados a pensar que para os seus dirigentes este não existe pura e simplesmente como um espaço diferenciado, de tal forma se mostram incapazes de estabelecer uma qualquer ligação entre o ambiente e o estudo. É talvez por isso que não mandam retirar as lixeiras que aqui abundam. 

 

Em segundo lugar, e tendo como referência a política que tem vindo a ser seguida na última década para esta zona, diremos que a CML olha para a cidade universitária acima de tudo como um enorme obstáculo à fluidez do tráfego. O ideal para qualquer projectista camarário seria esquartejá-la com vias rápidas, deitando abaixo uns quantos dos seus edifícios. 

 

Em terceiro e último lugar, diremos que estamos perante um ódio não manifesto contra todos os que nela trabalham. Este fenómeno já tinha sido identificado por Leite de Vasconcellos (cfr. Etnografia Portuguesa), quando se refere à boçalidade revelada por muitos lisboetas que identificam o estudo como uma actividade inútil, própria de ociosos. Exemplo desta posição é dada pela Junta de Freguesia do Campo Grande, para quem a única utilidade da Universidade é garantir clientela para o restaurante Quebra-Bilhas...

 

Na sua aparente diversidade, estas posições tem a mesma matriz cultural: a indiferença perante os espaços públicos, a res-pública."

 

Carlos Fontes (2002)

1961-1974

 

Alameda da Cidade Universitária de Lisboa, 1970. Fotografia de João H. Goulart, Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 

 

 
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