Jornal da Praceta


Informação sobre a freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito )

Espaço Público

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"Bairro de S. João de Brito"

 

 

"Inconcebível !" Foi com estas palavras que em 2004 titulamos uma longa crónica sobre este "bairro" de Alvalade. Ao longo dos anos insistimos em várias instâncias para que se fosse feita intervenção local. O ambiente degradado em que vivem centenas de pessoas, mesmo junto ao aeroporto de Lisboa, é impressionante.

 

O Bairro fica mesmo em frente do Terminal 2 do Aeroporto de Lisboa

 

Embora os terrenos estejam sujeitos desde os anos 40 do século XX à servidão do aeroporto de Lisboa, nada impediu que no local a partir dos anos 60 começassem a surgir algumas barracas.

 

Depois de 1974, com o regresso a Portugal de meio milhão de pessoas vindas das ex-colónias, assistiu-se neste zona à proliferação construções abarracadas, armazéns e pequenas oficinas.  No local instalou-se também uma comunidade cigana.

 

A CML nos anos 80 tentou criar algumas "infraestruturas" no local e alimentou durante algum tempo a ideia que os moradores podiam ficar neste espaço, mas rapidamente se percebeu que todo o bairro devia ser demolido.  A zona foi então votada ao mais completo abandono ficando cada vez mais isolada. A ligação à Rotunda do Relógio, por exemplo, foi cortada

 

 

Ao longo dos anos o Bairro de S. João de Brito foi sendo envolvida por construções pensadas de raiz, como as da rua Rua Jorge Colaço (antiga Estrada das Amoreiras), o Bairro da Boa Esperança (cooperativa), e mais recentemente blocos os apartamentos da Rua Engenheiro Manuel Rocha. Os campos de jogos na zona continuam a reflectir a mesma decadência do bairro.

 

Em 2006 as barracas em torno da casa da Quinta do Correio Mor foram demolidas e os seus habitantes realojados. A casa da quinta seguiu o mesmo caminho. Apesar disto, o Bairro de S. João de Brito resistiu, cada vez mais isolado e degradado.

 

O Plano Director Municipal, cuja discussão pública ocorreu em 2011, propunha que entre as áreas de intervenção prioritárias em Lisboa fosse o Bairro das Murtas (Campo Grande) e o "Bairro de S. João de Brito". Nada foi feito.

 

O Censo de 2011 registava que o bairro era habitado por 410 pessoas, correspondentes a 141 famílias. Contavam-se cerca de 139 edifícios precários: barracas, armazéns, oficinas, etc. A população residente está envelhecida.

 

 

Estrada da Portela, uma das grandes entradas de Lisboa no princípio do século XX. Atualmente é a principal entrada do bairro.

Barracas, armazéns e oficinas ilegais foram ocupando as grandes quintas desta zona de Lisboa: a Quinta do Correio Mor, Quinta do Alto (Quinta de Vila Real) e Quinta do Carrapato (Bairro de S.J.Brito). Desde á muito que a zona constitui a imagem perfeita do tipo de gestão urbanística que contínua a predominar na cidade de Lisboa. 

Não há palavras para descrever o estado geral de degradação em que aqui vivem e trabalham muitos habitantes desta cidade. 

Entre lixeiras, caneiros a céu aberto, automóveis abandonados, barracas, escombros de casas clandestinas, oficinas e um inacreditável ferro-velho, proliferam os negócios ilícitos. No centro ergue-se o que resta da antiga quinta e "palácio" dos Condes de Vila Real. O cenário é indigno de uma capital europeia.

O que resta do antigo Palácio dos Conde de Vila Real, construído na primeira metade do século XIX.

O brasão que ainda está na fachada do palácio, corresponde ao do 2º. Conde de Vila Real - Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1815-1858, casado em 1ªas núpcias com Maria Amália Burcchardt (1820-1839), e depois com Julia Adelaide Braamcamp de Almeida Castelo Branco (1822-1878). Este brasão foi também usado pelo 3º. e 4º. Conde de Vila Real.

O que resta das estruturas do palácio servem de vazadouro de entulhos de obras e de lixeiras.

Continua

Carlos Fontes

   
   





 

 

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