Jornal da Praceta

FUNDADO EM JUNHO DE 2001

Informação sobre a freguesia de Alvalade

( Campo Grande, São João de Brito e Alvalade)

EDITORIAL

 

 

 

 

Turismo em Alvalade

Várias artérias da freguesia de Alvalade, como a Avenida da Igreja ou a  Brasil, para não falar do Campo Grande são diariamente percorridas por autocarros panorâmicos repletos de turistas.

O alojamento local está em alta na freguesia, permitindo rentabilizar muitos apartamentos que estavam desocupados e que hoje são apreciáveis fontes de receitas para os seus proprietários.

Não raro vemos também alguns turistas que se aventuram pela freguesia, em particular pelo Campo Grande, tentando desvendar o que aqui existe e se passa.

Apesar deste enorme potencial económico, cujos resultados são visíveis em outras zonas da cidade, a verdade é que para quem nos visita não existe disponível um simples mapa da freguesia com os principais pontos de interesse cultural. O turista não encontra em Alvalade  qualquer orientação.

Embora muitos edifícios de excelente arquitectura, como o Bairro das Estacas, estejam profundamente adulterados na sua estética, a verdade é que não faltam em Alvalade muitos outros conjuntos arquitectónicos, obras de arte, parques e locais que mereciam enquadrados em roteiros culturais. 

Os contributos do Jornal da Praceta para a criação de roteiros culturais pela freguesia têm sido infelizmente ignorados por quem os devia apoiar. Vistas curtas que é preciso alterar.

Identidade

Entre as três antigas freguesias que constituem hoje a freguesia de Alvalade, apenas as freguesias de São João de Brito e a de Alvalade tinham uma certa identidade que lhes advinha de resultarem da criação do Bairro de Alvalade. Um sentimento de pertença que enchia de orgulho muitos dos seus moradores.

A antiga freguesia do Campo Grande, pelo contrário, viveu sempre numa indefinição de identidade devido à dispersão dos seus núcleos habitacionais e à dificuldade pensar a cidade universitária na própria freguesia. Durante décadas, os autarcas do Campo Grande frequentemente faziam questão de ignorarem as várias instituições de ensino e investigação aqui sediadas. A Universidade era vista como um problema e não como parte integrante da comunidade local.

A fusão da três freguesias, em 2013, agravou a tendência local para a dispersão e ausência de comunicação entre moradores e entidades publicas e privadas.

A atual freguesia de Alvalade ultrapassa os limites do Bairro de Alvalade de Faria da Costa. Engloba agora outros conjuntos urbanos, como a Cidade Universitária, o Campo Grande ou o Bairro Fonsecas e Calçada. Pensar hoje a freguesia de Alvalade implica ter em conta esta multiplicidade de espaços muito diferenciados, com vivências e problemas próprios.

A tentativa de reunir as múltiplas entidades da freguesia de Alvalade num forum - a Comissão Social de Alvalade -, embora seja uma excelente ideia, não tem passado disso mesmo. Poucos resultados tem produzido. Apesar do elevado número de entidades aderentes, o diálogo tem sido muito difícil dado o desconhecimento mútuo.

Pensar a identidade de Alvalade como temos referido, não é uma tarefa pueril, mas uma questão capaz de gerar sentimentos de pertença, essenciais para ligar os moradores aos espaços onde vivem, estimulando uma cidadania ativa. É também essencial para potenciar a afirmação cultural e económica desta zona na cidade de Lisboa. Este é um dos grandes desafios que se colocam a todos nós.

 

Civismo Precisa-se!

A falta de civismo dos moradores da freguesia de Alvalade é uma das principais conclusões do Relatório Final do Diagnóstico Social da Freguesia de Alvalade, apresentado no dia 31/03/2017, no auditório da Faculdade de Farmácia. Trata-se de uma conclusão a que facilmente se chega andando pelas ruas da freguesia. Um vasto número de moradores revela uma total indiferença pelos espaços públicos. O lixo é atirado para o chão. Os cães levados pelos donos invadem os jardins emporcalhando e destruindo tudo o que encontram. Os condutores estacionam em qualquer lugar, nem pensando nos problemas que podem causar a outros. As  paragens de transportes públicos e outros equipamento públicos são alegremente vandalizados. A impunidade como tudo isto é feito, acaba por banalizar as próprias ações. Começa-se a aceitar como normal aquilo que devia ser censurado e punido.  Por tudo isto e muito mais, não admira que os próprios moradores apontem a falta de civismo como um dos principais problemas que enfrenta a freguesia.

A educação cívica começa em casa, faz-se na escola, mas também na interação entre os cidadãos. A história mostra que a formação de uma consciência cívica é um processo muito lento. Por esta razão, nenhuma sociedade minimamente organizada pode prescindir também de medidas de repressivas contra comportamentos incivilizados dos seus membros, como os exemplos acima referidos. Não é difícil também constatar que neste domínio, as entidades que deviam vigiar e reprimir os comportamentos incivilizados se tem mostrado alheadas das suas funções. 

 

Os Vizinhos do Areeiro

 

Como é sabido as comissões de moradores em Lisboa tem-se caracterizado por defenderem, inúmeras vezes, posições atentatórias do espaço público. Fazem-no para corresponderem aos interesses de alguns de moradores que se sentem na obrigação de representarem.

 

A questão é que uma cidade, um bairro ou uma rua tem que ser pensados de forma global,  de um modo que valorize o que existe, melhore a vida e a convivência colectiva, não apenas de uns, mas quanto possível de todos, num equilíbrio entre o passado e o futuro. Uma equação nem sempre de fácil resolução.

 

O "Bairro do Areeiro" à semelhança do "Bairro de Alvalade" tem um riquíssimo património urbanístico, mas que tem sido infelizmente desvalorizado por todo o tipo de desmandos.

 

Ruas que antes primavam pela excelência dos seus edifícios são hoje um verdadeiro catálogo de horrores, de tal forma estão desfiguradas por alterações avulso, como as marquises. O resultado deste caótico processo, é que todos acabam por perder, os proprietários, os moradores e a cidade de Lisboa.

 

Tudo isto vem a propósito da Associação - Vizinhos do Areeiro - uma freguesia que faz fronteira com a de Alvalade. As propostas dos Vizinhos do Areeiro junto da CML rompem não apenas com as as reivindicações habituais das comissões de moradores, mas sobretudo com a visão tacanha como a CML tem olhado para o espaço público da cidade, limitando-o quase sempre a problemas de arruamentos esquecendo o urbanismo.

 

Na última proposta que os Vizinhos do Areeiro fizeram à CML (Janeiro de 2017), retomam uma antiga luta do Jornal da Praceta: a necessidade de se colocar um ponto final à proliferação de marquises na cidade. As ruas ficaram com um aspecto deprimente, os edifícios foram abastardados na sua traça original, muitos dos quais de excelente qualidade arquitetónica.

 

"No Areeiro – como em todas as freguesias de Lisboa – pode observar-se o fecho de varandas, criando marquises inestéticas e que violam o projecto (geralmente de grande qualidade) dos edifícios modernistas do nosso bairro.
Os subscritores desta mensagem convidam a CML a iniciar um projecto piloto na freguesia do Areeiro que resolva este problema através de uma abordagem multifacetada:


1) levantamento de todas as marquises e varandas fechadas que colidam com o projecto autorizado


2) contacto com os proprietários destas marquises no sentido de:
os sensibilizar para este problema disponibilizar alternativas para os seus problemas de isolamento térmico e sonoro


3) criar, com os proprietários, um plano de remoção de marquises


Sugerimos ainda que a Autarquia – após décadas de inércia – contribua para este problema não de uma forma punitiva (coimas) mas através da criação de mecanismos de remoção voluntária de marquises para os residentes que comprovem não terem condições económicas para financiarem essa remoção designadamente através da:
1) disponibilização, a custos de aquisição, de soluções de isolamento térmico e sonoro de janelas adquiridas em grande quantidades (com economia de escala) pela CML e revendidas, a preço de custo, a este munícipes
2) realizar, sem custos, a desmontagem destas instalações
3) em casos extremos, de manifesta insuficiência económica, financiar na íntegra essa remoção e a instalação de um isolamento térmico e sonoro nas janelas que ficam expostas com a remoção dessa marquise." Vizinhos do Areeiro, janeiro de 2017.

 

 

Plano de Urbanização da Cidade Universitária de Lisboa

 

O que fazer (ou desfazer) em 126 ha ? A CML durante anos criticou a Universidade de Lisboa por andar a construir na Cidade Universitária à revelia de qualquer planeamento. Não nos surpreende que agora venha colocar à discussão pública (21/11 a 13/12/2016) o plano de pormenor da sua urbanização !

 

Trata-se de um documento de grande relevância para a Freguesia de Alvalade, dada a dimensão que a Cidade Universitária nela ocupa. A verdade é que o assunto passou completamente à margem dos residentes.

 

Os primeiros estudos para um plano da Cidade Universitária de Lisboa, como é sabido, datam dos anos 30 do século XX. O Campo Grande foi a zona de escolhida para erguer o novo hospital escolar, a reitoria e as faculdades de letras e de direito da Universidade de Lisboa. Expropriados os terrenos só no inicio dos anos 50 se fizeram as primeiras construções - Hospital de Santa Maria (1953) e Estádio Universitário, seguindo-se depois  a construção da Faculdade de Direito(1955) e de Letras (1957) e da Reitoria (1960), concebidos por Pardal Monteiro.

 

Em 1956 os arquitectos João Simões e Manuel Norberto Corrêa elaboraram o primeiro plano de urbanização da cidade universitária de Lisboa.

 

Nos anos 60, embora o ritmo de construções tenha abrandado, destacou-se pela sua dimensão a Biblioteca Nacional. Depois de 1974 voltou a construir-se em ritmo acelerado na Cidade Universitária, mas num espaço envolvente cada vez mais degradado. A CML votou esta zona da cidade ao mais completo abandono. Eis que 2010 surge a intenção de criar um novo plano, logo revogado e que será substituído pelo presente à discussão pública.

 

Na consulta deste documento, dito estratégico, rapidamente percebemos que o mesmo está completamente desarticulado da própria freguesia, nomeadamente na sua vertente de ensino e investigação científica.

 

 A "Cidade Universitária" em Alvalade não pode hoje ser separada de outras áreas dedicadas ao ensino e investigação aqui existentes, como o LNEC, o Parque de Saúde, mas também a Universidade Lusófona ou mesmo a Universidade Católica.

 

O objectivo da CML parece ter sido apenas o de inventariar os espaços que na Cidade Universitária podem ser usados para construir imóveis destinados à especulação imobiliária. Esta é a única preocupação que retiramos após a consulta do mencionado plano. Nada que nos tenha surpreendido.

 

Carlos Fontes

 

Novembro de 2016

 

Tempo de Mudança

O Jornal da Praceta vai mudar. Neste mês de Fevereiro de 2016 terá uma nova casa - www.filorbis.pt - e em meados do corrente ano prometemos grande novidades.

Fazemos parte da rede de sites temáticos Filorbis. Começamos em Setembro de 1999 com apenas um site - Navegando na Filosofia - e não paramos de criar novos sites temáticos, a maioria dos quais pioneiros em Portugal.

Em Junho de 2001 surgia a versão online do Jornal da Praceta, o primeiro jornal online de um bairro de Lisboa. Ficou alojado no servidor Sapo, do qual no despedimos em Fevereiro de 2016.

As limitações de espaço do Sapo tornaram-se um problema. Havia que levantar voo, e foi o que fizemos.

Dada o enorme volume de informação relevante acumulado, os próximos tempos serão para arrumar a casa e expandir novas áreas de informação. É natural que surjam problemas na navegação, mas com o tempo tudo se resolverá.

Carlos Fontes

Autarca nas Horas Vagas

O sistema está de tal modo instalado em Portugal que aquilo que devia ser uma exceção passou a ser a regra: Os candidatos que se apresentam às eleições, seja para a assembleia da republica ou para as autarquias, não são depois os que exercem os mandatos ou os terminam. Funcionam como "chamariz" para caçar votos e depois de eleitos são frequentemente substituídos por outros que ninguém conhece.

O assunto não é novo neste jornal, nem sequer o que está a acontecer na freguesia de Alvalade apanhou alguém de surpresa. André Móz Caldas, cujo mandato como presidente da junta termina em 2017, dava sinais que estava a preparar o terreno para outros voos na política. As suas ações, nos últimos meses, estavam a ser caracterizadas por uma crescente preocupação mediática.

Como é sabido, na véspera da noite de Natal de 2015 confirmou-se a sua nomeação para chefe de gabinete do atual ministro das finanças Mário Centeno. A questão que muitos colocaram foi a sua substituição na presidência da junta, o que (ainda) não aconteceu. André Caldas seguiu outro caminho, resolveu exercer o cargo nas horas vagas no ministério das finanças, deixando a gestão corrente da junta para outros.

Dir-se-á que tudo isto é legal, mas não deixa de revelar o pouco respeito que os eleitos revelam para com quem os elegeu.

Carlos Fontes

Janeiro de 2016

As Novas Juntas de Freguesia

O ano de 2013 marca uma profunda mudança na administração da cidade de Lisboa, cujas consequências ainda estamos longe de poder avaliar. O facto mais importante foi sem dúvida a redução do número de freguesias e a sua maior visibilidade pública. Um vereador camarário dizia-nos que atualmente cerca de 80% das competências da câmara municipal haviam sido transferidas para as juntas de freguesia, as quais passaram a funcionar como verdadeiras "mini-câmaras municipais".

A Junta de Alvalade, que agregou três juntas, tem agora mais de 100 funcionários, aos quais devemos acrescentar um considerável número de empresas e trabalhadores que são contratados para serviços temporários. O orçamento da junta não tem paralelo com o das três juntas anteriores.

Consciente desta súbita importância, a Junta de Alvalade tem-se esforçado por publicitar as suas atividades e lançar iniciativas que lhe possam dar alguma visibilidade junto dos fregueses.

Apesar desta nova dimensão, a avaliar pelo que acontece em Alvalade, o que confere uma verdadeira visibilidade pública às junta é a limpeza da freguesia.  A presença quotidiana de viaturas e de funcionários de limpeza nas ruas, envergando um vestuário com o logotipo da junta mostra aos fregueses que a junta existe e presta uma função útil, o que dificilmente se podia dizer das juntas anteriores.

Muitos são os que já apontam para os custos do funcionamento das actuais juntas de freguesia, e a tentação dos seus membros em esbanjarem os recursos financeiros das mesmas em propaganda, festas e eventos de utilidade pública mais do que duvidosa. Nada que seja novidade.

Carlos Fontes

Novembro de 2015

 
 

2013- 2017

 
 

Fernando Medina

 
 

2007- 2013

 

António Costa

 

2007-2002

 
 

Carmona Rodrigues/Santana Lopes

 
 

2001

 
 

João Soares

 
   





 

 

 

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Jornal da Praceta

Primeiro Jornal Electrónico de um Bairro de Lisboa

Ficha Técnica:

Proprietário e editor: CMPF

Morada: Beco dos Peixinhos, 13., 1170-296 Lisboa.

Director: Carlos Fontes

Colaboradores: Manuel Pereira, Gaspar Santos, Penas, Mariana Fontes, Adelaide Miranda, Jorge Fonseca.

Periocidade: Diária

Registo na Entidade Reguladora para a Comunicação Social: 126980

Sede da Redação: Rua José Lins do Rego, 3, 1º. Dtº., 1700-262 Lisboa.

Contacto: jornalpraceta@sapo.pt

2006

Nas páginas de alguns jornais, com destaque para o Público são cada vez mais frequentes os desenvolvimentos de notícias publicadas no Jornal da Praceta. Facto que atesta a nossa crescente projecção local e regional, reforçando o nosso papel como mediadores entre os moradores e a imprensa diária. Entrevista

2005

 Comunicação Social

Jornal da Praceta foi considerado um caso exemplar de intervenção cívica na cidade de Lisboa (Reportagem ) .

2004

Universidade Nova de Lisboa. FCSH.  Instituto de História da Arte

VIII Curso Livre de História da Arte  

Lisboa Espaço e História

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Lisboa Virtual. Conferência de Carlos Fontes, director do Jornal da Praceta - 2 de Junho de 2004 (Comunicação )

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Escola Secundária Rainha Dona Leonor

Dia 11 Março 2004 - 14.30

Jornais Electrónicos de Bairro, conferência proferida por Carlos Fontes (director do Jornal da Praceta

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2003

O jornal  Público distingue o Jornal da Praceta na  imprensa electrónica, afirmando que se trata de um jornal  "bem informado" não apenas do que se passa no bairro, mas também na cidade e nos meandros da própria CML. Com meses de antecedência publica factos que depois serão manchete em semanários, como O Independente. (Cf.Público,31/8/2003)